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Campeão da Copa Verde, Brasília aposta na base para se destacar

Objetivo dos dirigentes do clube do Distrito Federal é estar na Série A até 2018

João Bosco Lacerda – Especial para o Estado , O Estado de S. Paulo

23 Abril 2014 | 14h26

SÃO PAULO - Copa do Mundo em seu quintal e o Estádio Mané Garrincha para usar, o Brasília prepara sua volta no futebol local e nacional, apostando, sobretudo, no trabalho de formação de atletas. Até 2018, o plano do clube é estar na Série A do Brasileiro. Durante a segunda metade dos anos 70 e toda a década de 80, o Brasília foi a equipe hegemônica do futebol candango. Campeão estadual oito vezes entre 1976 e 1987, o time passou um longo período sem destaque no cenário nacional, muito por causa da ascensão do rival Gama nos anos 90 e do Brasiliense na década seguinte.

A profissionalização do clube e o investimento nas categorias de base levaram o Brasília de volta à glória, como primeiro campeão da Copa Verde, competição que reuniu tradicionais times das regiões Norte e Centro-Oeste, além de equipes do Espírito Santo.

Diferentemente da maioria dos clubes do País, o Brasília é uma empresa desde 1999. A partir de 2011, no entanto, quando foi comprado pelo advogado Luis Carlos Alcoforado, iniciou-se um processo de valorização das categorias de base, que culminou com o título do Campeonato Brasiliense de Juniores de 2013 e a campanha na Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, competição em que foi eliminado nas oitavas de final, depois de disputa de pênaltis contra o São Paulo. Antes disso, havia eliminado outro grande, o Botafogo, com goleada de 3 a 0.

Quase metade do elenco campeão da Copa Verde, 16 dos 34 atletas, é formado na base. "Nós não contratamos jogadores de mídia, como é comum no futebol brasileiro. Aqui, o maior salário é de R$ 6,5 mil por mês", explica Alcoforado, que além de dono é o presidente da equipe.

O maior objetivo do Brasília, no entanto, não é formar jogadores para simplesmente colocar no mercado. "Queremos encontrar um parceiro internacional que apoie a expansão da equipe. Esse é o nosso objetivo", diz o presidente, ressaltando que a vaga conquistada para a Copa Sul-Americana de 2015, como campeão da Copa Verde, pode ser um trampolim para alcançar o objetivo e fazer o clube grande. O clube é gerido por Alcoforado e pelo sócio, o empresário Mauro Jorge Reis.

ENVOLVIDOS

Os jogadores compraram a ideia. Renan Fonseca, zagueiro titular nas equipes de base e atualmente uma das opções do elenco profissional, ressalta o projeto de carreira que o Brasília oferece. "Depois da Copa São Paulo, recebi algumas propostas de equipes grandes, mas a oportunidade de mostrar meu futebol como profissional em competições que aparecem em todo o Brasil acabou pesando para que eu ficasse."

De acordo com atletas do elenco, a maioria assina contrato profissional ainda na categoria juniores, ou seja, com até 20 anos de idade, o que ajuda a refutar propostas de outras equipes. Os rendimentos giram em torno de R$ 1,5 mil por mês, mas a principal vantagem em relação aos grandes clubes é que vários atletas formados na base são utilizados no elenco profissional, com chances de aparecer no cenário. Quase todos ainda têm como objetivo jogar nos maiores centros do futebol nacional, mas o plano de carreira faz com que terminem a formação no Distrito Federal.

"Quem sabe com a evolução do projeto nós não possamos fazer carreira em Brasília?", espera Fonseca, que é natural do Gama, cidade satélite situada a cerca de 40 quilômetros da capital.

A permanência dos jogadores é vital para os planos do Brasília. "Queremos utilizar pelo maior tempo possível os craques que tradicionalmente saem das bases do futebol candango e não têm oportunidade", diz o coordenador das categorias de base do Brasília, Roberto Patu. A identidade do torcedor com esses atletas é também uma peça chave. "Tivemos uma mostra da paixão do brasiliense pelo futebol durante a final da Copa Verde, quando mais de 50 mil foram assistir à partida no Mané Garrincha", aponta Alcoforado. Grande parte desses ingressos foi vendida ao preço simbólico de R$ 1.

2018

A meta dos dirigentes para os próximos anos é tornar o clube o principal representante do futebol do Distrito Federal, e chegar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro até 2018, aumentando assim as receitas e potenciais lucros da equipe. Conquistar esse posto, no entanto, não será fácil, considerando que o Brasília ainda briga por uma vaga na Série D do Brasileiro deste ano. O presidente do clube mostra-se otimista. "É preciso dar tempo ao tempo. Por enquanto, as apostas têm dado certo."

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