Campeão de 47 mata saudade do Palmeiras

Em 9 de novembro de 1944, os jornais noticiavam a contratação de Ary Mantovani pelo Palmeiras. Com apenas 17 anos, o jovem ponta-esquerda, que havia se destacado no Campeonato Paulista pelo extinto Comercial da capital, realizava o sonho da família.O encontro com Higino Pelegrinno, presidente do Palmeiras na época, foi rápido. Mas Mantovani deixou o Parque Antártica sem o contrato assinado. Precisou voltar a Águas de Lindóia, onde morava, para buscar uma autorização dos pais que possibilitasse sua inscrição na Federação Paulista. Agora, 55 anos depois de deixar o clube, Mantovani está tendo a chance de relembrar o passado. A presença do Palmeiras na cidade em que reside até hoje o motivou a tirar do fundo do baú lembranças históricas do tempo em que o amor à camisa falava mais alto. "Foram apenas quatro anos de Palmeiras, mas deu para ganhar dinheiro e investir no futuro. Ficou o carinho pelos grandes jogadores como Oberdã Catani, Waldemar Fiúme, Gonzalês, e por Oswaldo Brandão, que foi meu treinador na conquista do título paulista de 1947", conta, manuseando um caderno que ganhou dos filhos com várias matérias publicadas a seu respeito. Naqueles tempos, Águas de Lindóia se consolidava como uma das grandes estâncias termais do Brasil. Pessoas de vários Estados e até do exterior corriam à cidade em busca da cura para várias doenças. Foi nessa época que Mantovani teve que optar entre o futebol e a gerência do hotel que seu pai acabara de construir. "Não tive muita escolha. Como dei muito dinheiro que ganhei no Palmeiras para o financiamento das obras, meu pai quis que eu trabalhasse com ele. Por isso, com apenas 24 anos encerrei a carreira. Hoje, tanto tempo depois, me arrependo. Jogar bola era minha paixão e, no hotel, perdi praticamente toda minha mocidade." O maior feito de Mantovani, no entanto, permanece vivo até hoje no Guiness Book. No dia 5 de outubro de 1946, em uma partida contra a Portuguesa Santista no Parque Antártica, marcou dois gols olímpicos. Feito até hoje não igualado. "Fiz um dos gols no primeiro tempo e o outro no segundo. Batia com os dois pés." As tardes de domingo dentro do hotel fizeram com que a paixão pelo Palmeiras diminuísse. Mas nem por isso Mantovani deixou de acompanhar o time. "Concordo com a política de segurar o dinheiro adotada pelo presidente Mustafá Contursi. O segredo é apostar cada vez mais nos jogadores jovens."

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2004 | 10h18

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