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Campeão de audiência

Daqui a pouco, logo após o café da manhã, o Palmeiras estará em campo para enfrentar o Atlético-PR com um cenário que se tornou comum: casa lotada. O Allianz Parque, sucessor moderno do Parque Antártica, terá em torno de 40 mil pessoas para ver em ação a equipe dirigida por Marcelo Oliveira. Um fenômeno que se repete com regularidade desde o início do ano e que se tornou responsável por salto de renda surpreendente.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

02 de agosto de 2015 | 02h00

A frequência acima da média significa que a torcida palestrina cresceu de uma hora para outra? Não, evidentemente, embora seja das maiores do Brasil. Apenas ela recebe estímulo suficientemente forte para levantar do sofá e sair da frente da telinha para encarar arquibancadas e camarotes. A casa alviverde é nova em folha, moderna e tão ou mais aconchegante do que a antiga, de tantas histórias.

Mas não se trata só de conforto – e, tomara, nem de modismo tampouco de busca por novidade. Há fatores adicionais que ajudam a entender a transformação do Palmeiras em campeão de audiência, apesar das esporádicas aparições na tevê aberta. Um deles é o sucesso do programa sócio-torcedor.

O Avanti tem hoje um dos maiores contingentes de adeptos do mundo, que garantem arrecadação alta e fidelizada. A contrapartida está na prioridade para a compra de ingressos por internet e por valores menores do que aqueles, agora raros, colocados à venda nas bilheterias. Ou seja, o sujeito tenta ir ao máximo possível de jogos para ter precedência também nas grandes ocasiões. O Inter de Porto Alegre, por exemplo, faz isso há bastante tempo; a ideia espalhou-se e, com a repercussão em São Paulo, expande-se.

O Palmeiras não ficou nessas iniciativas. A elas juntou a principal: uma equipe confiável, ou ao menos se encaminha para isso. Depois de dois anos com elencos medíocres, a gestão Paulo Nobre enfim se coçou, foi às compras – até exageradas –, mas consegue tirar qualidade da quantidade de jogadores (24) contratados para 2015. 

No primeiro semestre, sob o comando de Oswaldo de Oliveira houve a etapa de formação, com o vice-campeonato paulista. Agora, com Marcelo se nota o salto de crescimento. A estratégia está mais afinada, o entrosamento idem; como consequência, o futebol da equipe melhorou, os resultados aparecem, as vitórias se acumulam e isso desemboca na resposta do torcedor. Da maneira adequada, com o comparecimento ao campo, com o consumo de produtos ligados ao clube. 

Não se trata de mistério indecifrável; ao contrário, o Palmeiras destrinchou o ovo de Colombo com razoável dose de obviedade e com uma equação simples, que tem estádio novo + time bom = público crescente. O efeito cascata se estende ao patrocínio (privado) no uniforme, o que aumenta a autonomia nas decisões. Há décadas, os palmeirenses não sabiam o que significa caminhar – bem – com as próprias pernas. Agora faz a sociedade ideal, com o parceiro primordial, seu torcedor. Dele tira grande parte do sustento, e isso é extraordinário.

O caminho que o Palmeiras – e outros times – embocou é o correto, ou seja, a procura por fontes de recursos diversificadas, que deem folga à dependência das cotas de televisão. Importantes, sem dúvida; porém, não podem ser as principais ou, na maior parte dos casos, a única. Uma âncora e camisa de força.

O próximo passo de Palmeiras e outras forças deveria ser a criação de liga independente da CBF, com união, inteligência e capacidade de valorizar o Brasileiro, de negociá-lo não com uma, mas com várias redes de tevê, de internacionalizar a marca. Enfim, de ver um bolo apetitoso e generoso, em que as fatias sejam também distribuídas de maneira justa, a fim de permitir evolução ampla e democrática, também dos pequenos, e não restrita a meia dúzia de privilegiados, de tubarões da bola.

Não é difícil, porém imprescindível fechar espaço de cartolas que estacionaram no tempo do Brasil colônia ou dos senhores de engenho.

 

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