Frank Fife/AFP e Gabriel Bouys/AFP
Frank Fife/AFP e Gabriel Bouys/AFP

Campeão em 98, Deschamps busca título para se igualar a Zagallo e Beckenbauer

Treinador trabalha sob a sombra do mito Zinedine Zidane, craque da seleção e tricampeão da Liga das Campeões como técnico

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 05h00

O francês Didier Deschamps precisa de apenas uma vitória para ser campeão do mundo como jogador e treinador. Só o brasileiro Zagallo (1958, 62 e 70) e o alemão Franz Beckenbauer (1974 e 90) ostentam essa honra. “O treinador tem uma estrela. Ele ganhou o título. Ele foi um grande jogador, um capitão, um líder. Ele se aproxima dos jogadores e faz isso bem”, afirmou o meia Paul Pogba.

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A chegada à final foi um trunfo pessoal do técnico. Ao eliminar os belgas, Deschamps se tornou o primeiro técnico da história da seleção francesa a se garantir na final dos dois principais torneios que ela disputa: a Copa do Mundo e a Eurocopa. Quem o contestava agora o chama de “técnico dos grandes torneios”. Deschamps conseguiu consolidar a ascensão da França no cenário mundial. É a terceira final em 20 anos, uma a mais do que Brasil e Alemanha. 

Quando se classificou à semifinal, ele disse que a campanha não poderia mais ser considerada um fracasso, uma cutucada na exigente imprensa francesa. “Nosso progresso é enorme. Nosso time hoje é competitivo. Estamos no caminho certo. Estamos orgulhosos”, avaliou. “É uma honra estar aqui, um privilégio.” 

Deschamps trabalha sob a sombra do mito Zinedine Zidane, campeão em 1998 como craque da seleção francesa e tricampeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid como técnico. Ele decidiu sair do clube espanhol no auge e estava preparado para assumir a seleção já em agosto, caso o time fosse mal. A campanha excelente na Copa deu sobreviva a Deschamps no cargo. 

 

Existe certa implicância com o treinador na França. Ele assumiu o time em 2012 e, no Mundial do Brasil, foi eliminado nas quartas de final diante da Alemanha. Com um time mais maduro, a expectativa da torcida era alta para a Eurocopa de 2016, mas, até hoje, os franceses não engoliram a derrota para Portugal em casa, e ainda com Cristiano Ronaldo machucado. 

Os franceses torcem o nariz para o futebol pragmático da seleção, que praticamente não sofreu na Copa do Mundo da Rússia. É um futebol consistente, mas que ainda não deu espetáculo. Todos querem mais de um técnico que tem Mbappé, Pogba e Griezmann nas mãos. Independentemente do resultado da final deste domingo, 15, Deschamps deve ter seu contrato renovado até 2020 para a disputa da Eurocopa. Aí, sim, Zidane poderá assumir a seleção francesa. 

 

 

 

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