Campeões de 63 criticam Meninos da Vila

Os últimos campeões da Copa Libertadores da América com a camisa do Santos ficaram desapontados nesta quarta-feira. Não apenas pelo seu feito, de 1963 na conquista sobre o Boca Juniors, não ter sido reeditado. Mas sobretudo porque, pelo que viram pela tevê, os garotos comandados pelo técnico Leão ?bobearam? demais no Morumbi. ?Eu não queria ser duro, mas o técnico (Emerson Leão) não deveria dizer para o time atacar todo do jeito que fez, tinha de moderar", disse Calvet, zagueiro santista dos anos 60, que viu o jogo de Bagé, onde vive. ?Na verdade acabou acontecendo o que era mais previsível. O time deles era muito mais maduro, eles entraram na defesa, o Santos ?entrou na deles? e deu no que deu." Pepe, que nas conquistas da década de 60 se destacava pela ponta-esquerda do Santos, lamentou que nesta quarta-feira a equipe tenha insistido em jogadas pelo meio. ?Tinha de ter aberto mais o jogo, investido nas laterais, principalmente com o Léo." O técnico, que deixou recentemente o Guarani e deve assumir em agosto o Al Haly, do Catar, elogiou a equipe argentina. ?O Boca é muito bem armado taticamente, foi mais time e a gente não pode deixar de reconhecer que a conquista foi de inteira justiça." E comentou bem-humorado a trajetória campeã do colega Carlos Bianchi - campeão da Libertadores em 94, 2000, 2001 e 2003. ?O velhinho é danado!" O mapa do caos já estava traçado no intervalo, quando o Boca já virou com a vantagem de 1 a 0 no placar. ?O problema é que os garotos estão errando muito no passe", disse Coutinho, centroavante do Santos bicampeão da Libertadores em 62/63. Vendo o jogo de Penápolis, onde treina o Penapolense, Coutinho ainda tinha esperança numa improvável inversão da situação. ?Pode ser que mude, jogo é jogado, né?" O ex-meia Dorval, colega de glórias do ex-atacante, também estava preocupado com as bobeadas dos jogadores comandados por Leão. ?Eles deram uma brecha que não podiam ter dado. Os argentinos entraram nas costas dos dois laterais desde o começo." Nervoso demais para ver o jogo do estádio, Dorval enxergava pela tevê o único caminho para reverter o quadro na segunda etapa. ?Tem de jogar com mais velocidade, tocar a bola e prender os laterais. Eles jogam no contra-ataque, tem de brecar isso."

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 01h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.