Campeonato Brasileiro: nada definido

A desorganização no futebol brasileiro continua e, se o exemplo dado nesta terça-feira pelos principais dirigentes do esporte persistirem, há de se perpetuar. Depois de seis horas reunidos, à tarde, os presidentes interino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Sebastião Bastos, do Clube dos 13, Fábio Koff, e da Comissão de Reestruturação do Futebol Brasileiro (CRFB), Delfim Peixoto, ensairam um discurso de reconciliação, mas bastou se separarem para as divergências sobre os rumos do futebol aparecerem. Koff se encontrou pela manhã com os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio e saiu da reunião ciente de que as divergências ainda são grandes. Já os presidentes do Flamengo, Edmundo dos Santos Silva, e do Vasco, Eurico Miranda, mostraram-se tranqüilos e reafirmaram a participação dos clubes do Rio em um Campeonato Brasileiro promovido pela CBF. Ao chegar na CBF, Koff disse que o mais importante era conseguir o reconhecimento da Liga Nacional de Futebol Profissional, depois pensaria na realização do Campeonato Brasileiro. O dirigente era um árduo defensor de uma competição organizada somente pela Liga. Depois da reunião, Bastos, Koff e Peixoto conversaram com os jornalistas e frisaram que a reunião foi "proveitosa e tudo caminhava para um entendimento". O presidente interino da CBF admitiu o reconhecimento da Liga desde que "uns ajustes" em seu estatuto seja realizado. As divergências e a certeza de que o impasse ainda é grande ficou claro quando os dirigentes se separaram, começaram a defender seus interesses, e tentaram fazer acreditar que seus objetivos foram alcançados. Koff afirmou que as alterações a serem feitas nos estatutos da Liga não a impedirá de organizar as competições e nem a tornará "dependente" da CBF. A hipótese de a nova entidade funcionar apenas como um órgão oficial e exercer o mesmo papel do Clube dos 13 também foi descartada. Já Peixoto, representante das Federações Estaduais de Futebol, garantiu que a Liga ficará dependente da CBF e não poderá realizar competição sem, inclusive, a anuência das Federações Estaduais de Futebol. "A logística ficará toda com a CBF", disse o dirigente. "Dizem até que a Liga será um Clube dos 13 oficial. Vão continuar comercializando o Brasileiro, como já faziam." Outras reuniões foram marcadas até que o impasse termine. Na próxima semana, Koff se encontra com os participantes do Clubes dos 13 para apresentar as propostas feitas pela CBF e os grandes clubes do Rio. Ainda participaram da reunião na CBF: o secretário Geral da entidade, Marco Antônio Teixeira; os presidentes das Federações Estaduais de Futebol do Rio de Janeiro, Eduardo Viana; do Ceará, Fares Lopes; de Goiás, Wilson da Silveira; do Paraná, Onaireves Moura; além do vice-presidente da Liga, Paulo Maracajá; o advogado da Liga, Álvaro Melo, e o diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto.

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