Rubens Chiri/São Paulo FC
Rubens Chiri/São Paulo FC

Campeonato Brasileiro registra maior média de público em 30 anos

Edição de 2018 tem cerca de 18,3 mil pessoas por jogo, número superado pela última vez apenas em 1987

Ciro Campos, Daniel Batista, João Prata, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2018 | 17h00

O Campeonato Brasileiro de 2018 tem levado público aos estádios como há tempos não se via. A competição marcada pelo equilíbrio na disputa pela liderança e a briga acirrada contra o rebaixamento fechou as 26 primeiras rodadas com a maior média de público nos últimos 30 anos. É como se, a cada jogo, cerca de 18,3 mil pessoas deixassem suas casas para tomarem estádios pelo País afora.

O número é significativo por deixar a edição deste Brasileiro com uma presença de torcida comparável à década de 1980, a era de ouro das casas cheias. Naquela década partidas em estádios como Morumbi e Maracanã reuniam mais de cem mil pessoas. O campeonato de média mais alta foi o de 1983, com 22,9 mil torcedores por jogo.

O índice elevado de público nesta temporada se explica por vários fatores. O principal deles é ter em 2018 uma concorrência maior pelo título, situação diferente da vivida em 2017, por exemplo, quando o Corinthians disparou na liderança.

O diretor da consultoria CSM Golden Goal, Danyel Braga, estudou durante oito meses os 13,6 mil jogos das edições do Brasileiro desde 1971 para identificar as razões que motivam o público a ir aos estádios. Aponta que, além do equilíbrio nas primeiras posições, é importante ter clubes de peso na disputa.

"Quem briga pelo título são times de grande torcida, e isso contribui para os números melhorarem. Há também o peso do Flamengo. Como tem a maior torcida, isso causa um efeito positivo, mesmo quando joga fora de casa", explicou.

O aumento na bilheteria do Brasileiro também se beneficia de novidades implantadas nos últimos anos. As partidas marcadas as manhãs de domingo se consolidaram como atrativos para o público, assim como os estádios novos. "As arenas construídas para a Copa de 2014 costumam ser ainda um fator positivo para os torcedores, por serem novas e confortáveis", explicou Braga.

Flamengo e São Paulo polarizam os recordes de presença de torcida neste Brasileiro. Os 15 maiores públicos da competição são de partidas em que um deles estava envolvido. Pesa a favor, claro, o estádio onde ambos mandam seus jogos. Maracanã e Morumbi podem receber mais de 60 mil torcedores. O jogo de maior público foi entre Fluminense e Flamengo, em Brasília, em junho. Estiveram presentes 59,9 mil pessoas.

ESTRATÉGIA

Destaque no futebol paulista em relação ao público neste Campeonato Brasileiro, o São Paulo recebeu mais de 40 mil torcedores nos últimos sete jogos em casa. A média do time é de 38,1 mil por partida, atrás apenas do Flamengo, com 46,2 mil. 

O São Paulo atribui o sucesso com o público a fatores como um estudo realizado sobre a bilheteria da equipe nos últimos cinco anos. Em vez de fixar um preço para o ingresso, o clube considerou melhor adotar a chamada "precificação dinâmica".

"A metodologia estipula preços a partir de variáveis envolvidas nos eventos, com o objetivo de levar em conta as particularidades de cada jogo e garantir o equilíbrio entre preços justos para o torcedor e reforço em receita", explicou o São Paulo, por meio de nota.

ANÁLISE: Fernando Fleury*

'Times tem conseguido atrair torcedor'

São Paulo e Flamengo apostam na precificação dos ingressos, com valores mais baixos, e Corinthians e Palmeiras contam com estádios mais modernos, que atraem o torcedor pela novidade. O fato dos clubes estarem em bom momento no Brasileiro conta.

Temos um estudo que mostra que um estádio é considerado novidade por cinco anos, então eles ainda estão dentro desse período e os clubes fazem um trabalho de marketing e de sócio-torcedor fortes. Eventos como abrir treino fazem o torcedor se sentir em casa e querer participar mais. Temos ainda os times do Nordeste, que contam com torcedores apaixonados e isso ajuda muito. 

*PHD. SÓCIO DIRETOR DA ARMATORE MARKET + SCIENCE.

Motivos para alta na média

Grandes na disputa: Clubes com torcida numerosa estão na corrida pelo título e garantem elevada lotação dos estádios, principalmente pelo campeonato estar bastante indefinido

Jogos de domingo às 11h: Rodada matinal começou em 2015 e mantém o sucesso com a torcida. Dos cinco maiores públicos do campeonato, dois foram em jogos nesse horário.

Inter e Ceará: Clubes recém-promovidos da Série B celebram união com a torcida. As duas equipes estão entre as seis com mais alta média de público.

 

 

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Corintianos celebram arena nova e santistas vibram com Pacaembu

Clubes paulistas alcançam boas médias do público em jogos do Campeonato Brasileiro deste ano

Ciro Campos, João Prata, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2018 | 17h00

Ana Carolina Gayotto tem na memória afetiva as idas com o pai ao Pacaembu durante a infância. Mas por conta da violência nos estádios deixou de acompanhar o Corinthians das arquibancadas em sua adolescência.

O retorno veio somente após a construção da Arena, em 2013. Ana Carolina é sócia-torcedora e enumerou uma série de motivos que a trouxeram de volta aos campos de futebol. "É um lugar mais seguro hoje, com estacionamento e acesso ao metrô. Há mais conforto, e ficou fácil comprar o ingresso." 

Com esses benefícios, ela agora traz também para ver o Corinthians os três filhos: Maria Luiza, 12, Gabriela, 10 e Guilherme, 8, além do marido, Fernando, que é economista. "Tenho essa memória boa do estádio e a medida que meus filhos foram crescendo e começaram a gostar de futebol, queria que eles tivessem essa vontade também de vir aqui, de compartilhar esses momentos em família." 

Ana Carolina conversou com o Estado momentos antes do jogo contra o Flamengo. A partida aconteceu uns dias depois da Gabriela fazer aniversário. E o presente surpresa que a mãe corintiana proporcionou ao trio foi que entrassem em campo ao lado dos jogadores. 

As crianças estavam eufóricas e ao mesmo tímidas diante do repórter, como convém. Era o primeiro grande jogo que acompanhavam à noite. O caçula ainda disse que teria prova no dia seguinte.

O pai era o único que não estava uniformizado. Também, desde o início, deixou apenas que Ana Carolina falasse. Só no final da conversa é que sua esposa revelou, bem baixinho, que o marido, na verdade, era palmeirense. "O que não fazemos pela família?", encerrou o pai.

SANTISTAS APROVAM JOGOS NA CAPITAL

O segurança Wilson Borges, de 32 anos, comemora quando a tabela do Campeonato Brasileiro mostra que o Santos vai mandar jogos no Pacaembu. A escolha da diretoria para transferir algumas partidas do time da Vila para a capital paulista possibilitou a ele e ao filho, Kevin Gabriel, de 7 anos, contribuírem para aumentar a presença de santistas nas apresentações da equipe.

Os dois saíram na zona oeste de São Paulo na última quinta-feira para ver o empate por 1 a 1 com o Vasco, em jogo atrasado da 3.ª rodada. Foi a quinta partida do Santos no Pacaembu neste Campeonato Brasileiro e a quarta em que o clube conseguiu superar a média de público do time da competição do ano passado, de 11 mil pessoas.

"É difícil viajar para Santos, porque é cansativo depois voltar, às vezes fica muito tarde para acordar e trabalhar no dia seguinte. No Pacaembu, além de ser perto e como é estádio municipal, posso levar meu filho e não pagar pelo ingresso dele", comenta.

Outro torcedor do Santos, o contador Valdo da Silva, de 46 anos, concorda com os argumentos do colega. Apesar de ser sócio do clube, não foi nenhuma vez à Vila neste ano para ver o time jogar. Porém, faz questão de ir ao Pacaembu. "Como o Santos não joga sempre em São Paulo, a torcida apoia mais o time no Pacaembu. Há muitos santistas que moram na capital", defende.

Na quinta, contra o Vasco, o Santos levou ao estádio em São Paulo 12,9 mil pagantes, número formado por alguns torcedores que só começaram a se fazer mais presentes neste ano. "Nunca fui à Vila, mas agora tento vir sempre ao Pacaembu e trazer a família", disse o carregador Antônio Pedroso, de 44 anos, de Guarulhos.

 

 

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