Campeonato Brasileiro vive crise técnica

Excesso de simulações e de reclamações ajuda a explicar fenômeno na comparação com os principais campeonatos do mundo

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 17h00

No dia 13 de julho, o Maracanã recebeu o último jogo da Copa do Mundo do Brasil, a agônica vitória da Alemanha por 1 a 0 sobre a Argentina, placar que deu aos europeus o seu quarto título mundial. Três dias após a emocionante decisão, sem tempo para qualquer espécie de reflexão, 14 equipes entraram em campo para iniciar a décima rodada do Campeonato Brasileiro. E o contraste foi escandaloso. Parecia que um outro esporte estava sendo disputado nos gramados do País. Um esporte muito pior.

Se o Mundial agradou pela busca constante pelo gol e pelo jogo fluído e dinâmico – poucas partidas do torneio não se encaixaram nesse padrão, típico dos campeonatos europeus –, o Brasileirão assusta pela ausência do que foi visto nos 12 estádios que receberam jogos da Copa. Partidas truncadas, com muitas discussões e pouca bola rolando, são a regra na competição nacional. Na primeira metade do clássico entre Santos e Corinthians, há duas semanas, a bola rolou por menos de 40% do tempo, um escândalo. Se alguém foi à Vila Belmiro esperando ver uma partida bem jogada, teve motivos para pedir o dinheiro de volta.

No mesmo dia, Internacional e Grêmio se enfrentaram no Beira-Rio e não foram necessários mais do que 40 segundos para que o primeiro empurra-empurra surgisse, para desespero de quem desejava simplesmente assistir a um bom espetáculo.

Não haveria maiores problemas se essas duas partidas pudessem ser chamadas de exceção, mas elas não podem. Os números, aqueles que não mentem, mostram que o Campeonato Brasileiro está muito atrás das principais competições do planeta. Ou melhor, está à frente, se o critério analisado for a média de faltas por jogo. Até a rodada do último fim de semana, a marca do Brasileirão era de 34,01, bem superior aos números dos campeonatos europeus, além da Copa do Mundo e da última edição da Copa Libertadores da América (confira os números na arte ao lado). Em compensação, quando se passa para o quesito tempo de bola rolando o torneio despenca da liderança para a lanterna como em um passe de mágica.

Quando se fala em crise no futebol brasileiro – e tem se falado muito nisso desde os famosos 7 a 1 que a seleção levou da Alemanha na Copa –, todos logo pensam nos péssimos cartolas, no calendário bagunçado, nos estádios vazios... Tudo isso tem machucado muito o futebol brasileiro, mas quem pisa nos gramados dos quatro cantos do País também faz parte do problema. Se os jogos no Brasil são quase sempre feios, é também porque os jogadores parecem mais preocupados em enganar o árbitro e intimidar o adversário do que em buscar o gol. É como se um mergulho na área valesse mais do que um belo passe, como se uma peitada em um oponente fosse mais bonita do que um drible.

“Muitas vezes vemos o jogador levar um tapa no braço e colocar a mão no rosto”, testemunhou Carlos Eugênio Simon, árbitro com atuação em três Copas e atualmente ocupando a função de comentarista de arbitragem. “É preciso uma mudança cultural para diminuir o número de faltas e simulações.”

A expressão “mudança cultural” não está no discurso de Simon por acaso. Para ele, os jogadores brasileiros deveriam assistir com atenção aos jogos dos torneios europeus para começar a reproduzir o padrão de comportamento exibido do outro lado do Atlântico. “Na Europa não tem só santinho, mas é característica do jogador brasileiro a todo momento buscar o contato e a simulação. Aqui, você entra em campo com 22 jogadores tentando te enganar.”

Agora que o problema foi devidamente apresentado, é conveniente dar atenção às explicações dos protagonistas dos “espetáculos”. Entretanto, a julgar pelo que dizem jogadores e treinadores das equipes brasileiras, simplesmente não há problema algum. Como se fosse mais conveniente manter as aparências, usa-se como um mantra o discurso de que tudo vai bem no Brasil e que temos um ou outro jogo ruim, como em qualquer lugar do mundo.

“Acho que melhorou a marcação e isso fez com que os jogadores mais técnicos tivessem mais dificuldades. É normal ter uma queda, mas não acho que seja tanto assim”, disse o zagueiro palmeirense Lúcio. “A gente sempre procura fazer o melhor, mas o melhor não agrada a todo mundo. Se você acompanhar outras ligas, verá que há jogos bem piores do que os nossos”, afirmou o volante corintiano Elias.

O argentino Ricardo Gareca, treinador que o Palmeiras trouxe da Argentina em maio, também diz que não há nada de errado com o futebol do País e faz muitos elogios ao Brasileirão. Um dos poucos a admitir que há problemas é Muricy Ramalho, mas ainda assim o comandante do São Paulo toma o cuidado de suavizar as críticas e não usar a palavra crise. “O problema do futebol não é técnico, os craques estão por aí e continuam surgindo”, disse Muricy. “O problema do futebol brasileiro é mais uma questão tática e de posicionamento. O brasileiro precisa avançar nessa parte, fazer a jogada e também fechar os espaços.”

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Nem Copa do Mundo alcança meta da Fifa

Entidade máxima recomenda ao menos 60 minutos de jogo com bola rolando, mas padrão não é atingido durante torneio no Brasil

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2014 | 16h51

De acordo com as recomendações da Fifa, uma partida de futebol deve ter pelo menos 60 minutos de bola rolando. Não parece muita coisa, especialmente quando se nota que, ao ser atingido esse padrão, a bola ainda assim fica parada em um terço do jogo. Mas nenhum dos campeonatos da elite da bola consegue atingir a meta estabelecida pela Fifa. Nem mesmo a Copa do Mundo.

O torneio realizado no Brasil entre junho e julho teve a média de 57,36 minutos de bola rolando por partida. Um avanço e tanto na comparação com o Mundial de 2010, que teve média de 54 minutos, mas ainda assim faltou bastante para chegar ao “padrão Fifa”.

No caso das competições de clubes, nem mesmo o Campeonato Inglês, famoso no mundo todo pela intensidade das partidas, consegue chegar perto da marca recomendada pela entidade que dirige o futebol mundial. A última edição do torneio nacional da Inglaterra teve média de 56,9 minutos, o que mostra que até nos torneios mais badaladas do planeta ainda há muito trabalho a ser feito para que a recomendação da Fifa seja atendida.

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Inglaterra tem realidade muito diferente do Brasil

Campeonato Inglês possui como marcas registradas o baixo número de faltas e a alta intensidade das partidas

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 17h00

O Campeonato Inglês é uma espécie de negativo do Brasileirão. Se por aqui o excesso de faltas e o pouco tempo de bola rolando provocam profundo incômodo em quem gosta de futebol bem jogado, na Inglaterra esses problemas não existem. Lá os jogos quase sempre são corridos, com poucas reclamações e nada de simulações.

Os jogadores estrangeiros que chegam à Inglaterra logo aprendem uma lição valiosa: é proibido “cavar” faltas e pênaltis. Se há algo que as torcidas e a imprensa do país detestam é ver um jogador mergulhar no gramado para tentar enganar o árbitro. Quem faz isso passa o resto da partida sendo vaiado e pode se preparar para ler coisas bastante desagradáveis quando abrir os jornais no dia seguinte.

O volante Fernandinho não teve de se preocupar com isso quando trocou o Shakhtar Donetsk pelo Manchester City, no ano passado. Afinal, ele não é o tipo de jogador que se joga no chão em busca de um pênalti. Mas o jogador revelado pelo Atlético-PR precisou aprender rapidamente muitas coisas que os seus oito anos na Ucrânia não lhe ensinaram. A mais importante delas: na Inglaterra, é preciso correr. O tempo todo.

“Nos meus primeiros jogos aqui, fiquei impressionado com a intensidade do futebol jogado no país”, contou o volante, peça importante do City na conquista do título da última edição do Campeonato Inglês. “Quando um time fica com a segunda bola em sua área, já sai correndo para o contra-ataque. Não dá para tirar o pé em nenhum jogo, mesmo contra os últimos colocados. Comparando com o Brasil, a diferença é absurda.”

Fernandinho ficou tão assombrado com o ritmo do futebol inglês que chegou a temer por seu futuro no City. O receio era não conseguir se adaptar àquela correria toda, mas o volante logo pegou o jeito e se acostumou a correr mais do que jamais havia corrido em sua carreira.

“Outro dia falei para o Fernando (volante brasileiro que o City contratou recentemente do Porto) que era bom ele ir se acostumando porque aqui os adversários não desistem nunca, lutam pelo gol até o fim da partida”, comentou Fernandinho, acrescentando que essa característica faz com que o Campeonato Inglês tenha mais gols nos minutos finais das partidas do que qualquer outra competição.

Outra diferença fundamental entre o futebol brasileiro e o inglês é o comportamento dos árbitros. No Brasil, é comum ver os homens do apito baterem boca com os jogadores e exibirem cartões como se estivessem portando uma arma. Na Inglaterra, a realidade é outra. Os árbitros têm o hábito de conversar pausadamente com os atletas, como se estivessem dando uma palestra. Quando mostram um cartão, eles o fazem de maneira calma e discreta.

Antes do início do campeonato, todos os clubes recebem a visita de árbitros para que os jogadores saibam o que podem fazer durante as partidas e, principalmente, o que não podem (simulação está obviamente no topo da lista). Para que não haja dúvidas, os atletas recebem cartilhas produzidas pelas autoridades da arbitragem do país.

“Os árbitros na Inglaterra são muito tranquilos. Tem um, cujo nome não me lembro, que até gosta de contar piadas durante os jogos”, contou Fernandinho. “Acho que se um juiz inglês fosse apitar um jogo do Campeonato Brasileiro ele seria massacrado. Aqui os árbitros permitem o corpo a corpo e dificilmente marcam falta em um carrinho, além de conversarem bastante com os jogadores. No Brasil, tenho certeza de que esse estilo não seria bem aceito.”

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Baixo nível dos jogos do Brasileiro preocupa a TV Globo

Emissora convocou dirigentes para série de reuniões a fim de tentar buscar soluções para voltar a atrair a atenção do público

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 17h00

Maior financiadora do futebol brasileiro, a Rede Globo distribuiu no ano passado aos 20 clubes da Série A mais de R$ 1 bilhão. Mas, insatisfeita com o nível das partidas e preocupada com a queda de audiência, a emissora convocou os dirigentes para uma série de reuniões a fim de tentar buscar soluções para voltar a atrair a atenção do público.

A qualidade das partidas passou a ser alvo de muitas críticas principalmente depois da Copa do Mundo. Em dez anos, o futebol perdeu quase dez pontos no Ibope (cada ponto representa 65 mil domicílios na Grande São Paulo). Se em 2004 uma partida atingia 25 pontos, agora a média está em 16. Se a audiência continuar caindo, a emissora ameaça diminuir os valores das cotas de transmissão repassadas aos clubes. No ano passado, o Flamengo, com R$ 110,9 milhões apareceu no topo da lista, seguido pelo Corinthians, com R$ 102,5 milhões.

Os clubes fora do eixo Rio-São Paulo querem rediscutir os valores e pedem que emissora não privilegie apenas os times que garantem maior audiência. O temor é que as equipes menores, sem dinheiro, deixem de revelar bons jogadores.

 

Análise de Paulo Roberto Falcão, treinador, comentarista de TV e ex-jogador

'Futebol brasileiro precisa cuidar da base'

De modo geral, o que nós vemos hoje em dia no Brasil é um futebol de mais marcação, mais correria, mas isso já faz tempo, não é uma coisa nova. E isso em qualquer categoria, pode ser sub-15, sub-17 ou sub-20. É uma crise técnica o que nós estamos vivendo.

Não existe apenas uma explicação para essa crise, pois se houvesse seria bem mais fácil resolver o problema. Acredito que o mais importante é trabalhar um pouco melhor a nossa base. Um dos maiores problemas é que o treinador da base também tem o sonho de ir para o time profissional, então acaba priorizando os jogadores mais fortes fisicamente, mesmo que eles não tenham muita técnica. Isso porque, naquele momento, o jogador mais forte pode dar um resultado imediato para esse treinador. É preciso buscar educadores da parte técnica e também da parte tática para a base. O fundamental é dar prioridade aos meninos com qualidade, e não buscar resultados rápidos.

O fato de os jogos no Brasil serem muito parados, muito truncados, também é consequência de uma crise na arbitragem brasileira. Antigamente existia aquela desculpa de que os gramados eram ruins, mas isso mudou, agora nós temos bons gramados, o que é muito legal.

Uma coisa de que eu sinto falta no nosso futebol é que os times tenham pelo menos três ou quatro jogadores excelentes em seus elencos. Como eles não têm, quando aparece um garoto um pouquinho diferente ele já é rotulado de craque. Aí o treinador fica em uma sinuca de bico porque, mesmo sabendo que o garoto ainda não está pronto, ele precisa escalá-lo. Se não escalar e o time perder a partida, vão dizer que perdeu porque o menino não foi escalado.

É uma situação muito séria essa que vivemos, e eu repito que o problema mais preocupante é a falta de qualidade na nossa base. Muitos chegam à seleção brasileira, que é o auge para qualquer jogador, e têm dificuldades para cabecear ou chutar. As diretorias dos clubes precisam dar um outro caminho para as divisões de base, priorizando a qualidade, não os resultados. E também é preciso educar os meninos taticamente. Eles precisam aprender que tem lugar do campo em que não dá para prender a bola e tem lugar em que dá, assim como tem lugar em que é preciso tocar de primeira. É necessário educar os garotos.

O que nós mais precisamos saber neste momento é: como vamos acabar com essa crise? Quem são as pessoas preparadas para isso? Eu deixo essas perguntas no ar. Todos estão notando agora que não somos mais os melhores do mundo, e isso já há algum tempo. Somos um povo maravilhoso em diversos aspectos, mas a verdade é que no futebol nós somos muito arrogantes. Quando tomamos de sete, caiu a ficha.

Às vezes é bom tomarmos uma pancada para percebermos a realidade. Precisamos aprender com os fatos, E não esquecer os fatos.

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'Brasileiro precisa aprender a jogar em pé', diz Gaciba

Ex-árbitro critica comportamentos dos jogadores e culpa atletas pela má fase do futebol brasileiro

Mateus Silva Alves e Raphael Ramos , O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 17h00

Por que os jogos no Brasil são mais truncados do que em outros países?

O jogador brasileiro tem por característica querer cavar e simular faltas a todo momento. A prova disso é que o jogador brasileiro, quando vai para a Europa, principalmente o atacante, leva um certo tempo para se adaptar ao sistema europeu, que nada mais é do que aprender a jogar em pé. É uma particularidade do jogador brasileiro que torna o jogo aqui mais difícil de ser comandado dentro de campo. Isso é preocupante porque a gente está tirando do torcedor que vai o estádio metade do valor pago pelo ingresso, afinal só metade do jogo é de bola rolando.

Como é para o árbitro conduzir uma partida em que praticamente todos os jogadores estão tentando enganá-lo?

É preciso muito treinamento antes do jogo e estudo das características dos jogadores que estarão em campo. A experiência também ajuda muito, porque os atletas passam a te conhecer melhor. É fundamental aprender qual é o melhor ângulo e o posicionamento ideal para tomar a decisão técnica correta. Esses tipos de escolhas ajudam a melhorar a performance do árbitro, mas é difícil. Eu, particularmente, encontrava uma facilidade muito maior quando dirigia partidas da Libertadores e das Eliminatórias da Copa porque só tinha de me preocupar com as questões técnicas. A parte disciplinar era mais tranquila.

Para o árbitro, o que é pior: a catimba dos sul-americanos ou a simulação de faltas?

A simulação de faltas, com certeza. Tem muita jogada que apitei aqui na América do Sul que eu achava que era para cartão amarelo e o atleta que sofria a falta levantava e continuava jogando normalmente, dando completa velocidade ao jogo. O árbitro brasileiro tem de se adaptar a essa realidade. Aqui no Brasil, normalmente a gente coloca nos atacantes a culpa pelo grande número de faltas. É verdade que muitas vezes os atacantes jogam a bola de lado só para o adversário atingir a sua perna, mas os defensores também têm culpa. No Brasil, marcar bem não é interceptar a bola antes que ela chegue no adversário, mas sim bater no atacante. O objetivo é fazer a marcação diretamente no corpo do adversário. Muitíssimos defensores no Brasil têm essa filosofia. Em momento algum eles visam a bola para fazer o desarme.

Além de simular faltas, os jogadores também tentam forçar cartões para os adversários?

Na Copa do Mundo, a média de faltas foi de 29 por jogo. No Brasileiro, é de 34. Não é uma diferença tão grande. O problema maior é o que acontece depois da falta sofrida. O tempo que se demora para cobrar a infração é enorme. O que no exterior é uma falta normal, aqui no Brasil o cara fica rolando no chão. Em algumas situações, a minha primeira sensação é de que o jogador quebrou a perna, mas quando ele vê o cartão amarelo ou vermelho na mão do juiz, aquilo faz mais bem para ele do que um atendimento médico e ele levanta na hora com se nada tivesse acontecido. Essa é uma questão de filosofia. Dentro de campo, eu ouvi muitas vezes os técnicos falarem para os seus jogadores: “Quando estiver dentro da área, cai porque é pênalti.”

Fala-se em mudar a regra, obrigando o atleta que precisar de atendimento médico a ficar pelo menos cinco minutos fora. Qual é a sua opinião sobre isso?

Vejo prós e contras. Esse tipo de atitude pode incentivar que o marcador dê um pontapé forte no adversário só para ele ficar cinco minutos fora do jogo. Hoje a regra diz que quando o atleta pede atendimento ele tem de sair do campo e só pode voltar depois que a bola entrar em jogo novamente. Antes, era normal a gente ver zagueiro caindo para todos os lados nos minutos finais dos jogos. Hoje em dia, a matada de tempo é durante todo o jogo e não mais especificamente nos minutos finais.

A pessoas também estão questionado o Fair Play, já que muitas vezes o atacante perde a bola e cai pedindo atendimento médico só para matar o contra-ataque do adversário. Isso incomoda os árbitros?

Infelizmente, no Brasil tem regra no futebol que tem de ser modificada só por causa dos jogadores brasileiros. É o caso da paradinha na hora do pênalti, por exemplo. No vídeo da Fifa, todos os exemplos eram de atletas brasileiros, sem exceção. O Fair Play surgiu, acima de tudo, como um conceito de educação esportiva. Quando um atleta se machuca, o adversário, por livre e espontânea vontade, abre mão de atacar para a entrada do atendimento médico. O problema é que o jogador caído no chão não significa necessariamente que o adversário tem de colocar a bola para fora. Esse é um conceito deturbado dentro do futebol brasileiro. Se o árbitro vê que a lesão é grave, ele tem a obrigação de parar o jogo imediatamente. Quem avalia isso é o árbitro, e não os jogadores.

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