Divulgação/Orlando City
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Campeonato dos EUA começa com times confinados na Disney e revezamento na academia

Liga cria novo torneio e reúne todas as equipes no mesmo resort com logística que mistura NBA com formato de Copa do Mundo

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 05h00

O país com mais casos do novo coronavírus no mundo, os Estados Unidos, vai retomar o futebol a partir desta quarta-feira com um campeonato novo, criado especificamente para dar ritmo de jogo aos times e ao mesmo tempo atender aos requisitos de segurança com a pandemia. A liga local, a MLS (Major League Soccer), montou um torneio em um molde parecido ao da Copa do Mundo e com a logística parecida à planejada pela NBA. Todas as equipes estão confinadas em um resort da Disney e vão disputar jogos sem a presença de público.

A ideia da liga foi compensar a paralisação do calendário em março por causa da pandemia com um torneio curto de menos de um mês de duração. Para a competição ser mais atrativa, valerá pontos para a temporada da MLS e renderá ao campeão vaga na Liga dos Campeões da Concacaf, a Copa Libertadores disputada por times das Américas Central e do Norte. O formato é simples: os 25 participantes estão divididos em seis grupos e depois terá início o mata-mata.

A proposta agradou aos clubes, mas houve um grande imprevisto de última hora. Na segunda-feira o FC Dallas se retirou da competição depois de dez jogadores testarem positivo para o novo coronavírus. O monitoramento de casos da doença é uma preocupação constante da liga, que realiza testes nos atletas a cada 48 horas e montou uma espécie de "bolha", para evitar mais casos.

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A gente usa máscaras o tempo todo. Só tiramos na hora de comer. O cuidado está sendo ao máximo para que nenhum jogador possa se infectar
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Judson, Volante do San Jose Earthquakes

Todas as equipes estão hospedadas em um mesmo complexo hoteleiro e as partidas serão também em estádios na mesma cidade, como também planeja fazer a NBA. Apesar de compartilharem às vezes o mesmo prédio, cada delegação está em um andar diferente e com os atletas acomodados em quartos individuais. Nele, há refeitório e uma sala de jogos exclusiva para cada time, para evitar o compartilhamento de instalações. "A gente usa máscaras o tempo todo. Só tiramos na hora de comer. O cuidado está sendo ao máximo para que nenhum jogador possa se infectar", afirmou o volante Judson, do San Jose Earthquakes.

Um detalhe curioso de toda essa logística de cuidados está na hora dos treinos. O complexo que recebe a MLS tem quatro campos disponíveis para os 25 times, porém foi necessário organizar um revezamento desses locais. Cada equipe pode utilizar o gramado por 1h30. É o mesmo na academia. Os elencos fazem o trabalho de musculação e depois uma empresa especializada em limpeza faz a desinfecção dos equipamentos para o time seguinte poder utilizar.  

"É um torneio de tiro curto, e tudo pode fazer a diferença. Temos de estar bastante concentrados. Estamos há mais de dez dias em Orlando, fomos a primeira equipe a chegar, estamos nos ambientando bem ao clima", disse Judson. "Todos os jogos vão ser aqui na Flórida, que é a nossa casa. Vamos mostrar que quem manda aqui somos nós", comentou o atacante Robinho, do Orlando City.

Quando os times deixam os hotéis e vão para o treino, se locomovem com a ajuda de ônibus e somente um jogador pode se sentar por fileira. O banho tem de ser feito nos quartos. Na hora das refeições, somente cinco atletas podem se sentar por vez nas mesas. A reunião de tantos times e jogadores no mesmo local, também gera situações curiosas. Os jogadores costumam encontrar o adversário com frequência na recepção dos hotéis.

"A gente se encontra no hotel, cumprimentamos alguns jogadores que já conhecemos e conversamos com os brasileiros, mas sem apertar a mão e mantendo a distância. Nos treinos é tudo seguro, porque a liga inspeciona todo", disse Judson. A MLS também cuida para não existir nenhum tipo de espionagem entre as equipes durante os treinamentos.

A partida de abertura nesta quarta-feira será entre o Orlando City e Inter Miami. Por parte do Orlando, uma das atrações no torneio será o experiente português Nani, ex-Manchester United. "Ele é um cara espetacular. A convivência com ele é a melhor possível. Ate jogamos videogame juntos. É uma pessoa maravilhosa e tem nos ajudado", contou Robinho.

TRÊS PERGUNTAS PARA...Antônio Carlos, zagueiro do Orlando City

Como foi a rotina de vocês antes do torneio?

A liga está dando todo o respaldo, tudo é muito organizado. Por causa do calor, a gente treina por volta das 8h da manhã. Depois outro time vem e treina na sequência. Serão vários estádios diferentes para receber os jogos. São feitos muitos testes. Então, a gente se sente seguro em treinar e competir.

O que vocês, jogadores, acharam desse formato de competição?

O que estamos vivendo aqui está pegando todo mundo de surpresa. Todo mundo queria fazer o que mais gosta e com tranquilidade. A ideia do torneio serviu para dar um pouco mais de prazer para todos nós. Os jogos vão passar na TV e isso vai abrir portas. É uma preparação bem diferente, mas muito interessante.

Você até ano passado estava no Palmeiras. O que está achando do futebol dos Estados Unidos?

A MLS é uma liga muito competitiva. Às vezes de fora pode não parecer, mas tem muitos jogadores bons. Todos os times são muito equilibrados, os jogos são de muita força. Eles gostam de receber jogadores brasileiros e me receberam muito bem. Os americanos até tentam falar um pouco de português.

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