Gustau Nacarino/Reuters
Gustau Nacarino/Reuters

Campeonato Espanhol: uma briga restrita a dois gigantes

Barcelona e Real Madrid se revezam no comando da competição desde 2004

O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2013 | 08h05

MADRI - Começa neste sábado mais uma batalha entre Barcelona e Real Madrid pelo título espanhol. Os dois gigantes não permitem que outra equipe seja campeã desde 2004, quando o Valencia levantou a taça (o placar nos últimos nove campeonatos é de 6 a 3 para o Barça, sendo 4 a 1 de 2009 para cá), e entram na temporada cientes de que não há outro time capaz de se intrometer na briga deles.

Chega a ser uma covardia a disparidade de faturamento - e, consequentemente, de orçamento - que separa Barcelona e Real Madrid dos outros 18 competidores. Só para ficar em um ponto: os dois grandes recebem 140 milhões de euros (R$ 446,5 milhões) da televisão pelos direitos de transmissão de seus jogos, enquanto o terceiro mais bem remunerado, que é o Atlético de Madrid, embolsa 47 milhões de euros (R$ 150 milhões).

A crise financeira da Espanha e a falta de competitividade do campeonato estão levando os coadjuvantes a vender mais do que comprar. Nada menos do que 80 jogadores da Primeira Divisão foram negociados com clubes estrangeiros - 14 deles foram para a Inglaterra, país em que a divisão dos direitos de tevê é mais justa. E o dado preocupante é que cinco atletas do grupo da seleção foram embora: Navas (do Sevilla para o Manchester City), Negredo (do Sevilla para o Manchester City), Soldado (do Valencia para o Tottenham), Thiago Alcântara (do Barcelona para o Bayern de Munique) e Llorente (do Athletic de Bilbao para a Juventus). Entre os estrangeiros que deixaram a Espanha está o atacante colombiano Falcao Garcia, vendido pelo Atlético de Madrid ao Monaco por 60 milhões de euros (R$ 191,4 milhões).

Barça e Real Madrid são menos afetados pela crise, mas também investiram menos do que o habitual. O clube catalão comprou apenas Neymar, numa operação que lhe custou 57 milhões de euros (R$ 181,3 milhões), e está à procura de um zagueiro. E o rival, por enquanto, contratou só promessas espanholas: o meia Isco (ex-Málaga), o volante Illarramendi (ex-Real Sociedad) e o lateral-direito Carvajal (ex-Bayer Leverkusen).

O gasto do Real Madrid em reforços está na casa de 68,5 milhões de euros (R$ 218,5 milhões), mas esse número vai subir muito se o presidente Florentino Perez levar adiante a tresloucada ideia de pagar 100 milhões de euros (R$ 319 milhões) pelo galês Gareth Bale, do Tottenham. A janela de transferências se fecha dia 2 de setembro, e até lá ele vai continuar tentando convencer o presidente do clube inglês, Daniel Levy, a vender o jogador.

COMANDANTES NOVOS 

Os dois candidatos ao título trocaram de técnico em relação à temporada passada. No Real, saiu o português José Mourinho, que teve vários problemas de relacionamento com o elenco (em uma entrevista esta semana Cristiano Ronaldo disse que não vale a pena "citar o nome dessa pessoa", referindo-se ao treinador) e entrou o italiano Carlo Ancelotti - que está encantado com o rendimento do ex-são-paulino Casemiro e disposto a resgatar o futebol de Kaká.

No Barça, Tito Vilanova precisou se demitir para se submeter a tratamento para enfrentar um câncer e o clube contratou o argentino Gerardo "Tata" Martino, um discípulo da "escola Marcelo Bielsa" que foi bem na seleção paraguaia e no Newell’s Old Boys.

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