JF Diorio/Estadão
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CAMPEONATO PAULISTA É SUCESSO DE PÚBLICO

Média é superior à do ano passado, impulsionada por Palmeiras e Corinthians

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

08 Março 2015 | 07h00

Já virou rotina. Entra ano, sai ano, o Campeonato Paulista é recebido com má vontade. Critica-se a forma de disputa, que sempre tem grupos desequilibrados; o excesso de times (20) e, por consequência, de jogos; e o baixo nível técnico, entre outros fatores. No entanto, o torcedor parece estar curtindo o torneio de 2015. Nas sete primeiras rodadas, a média de público é 22% maior do que a do torneio de 2014. São 6.920 pagantes por partida, ante 5.675 do ano passado. 

É claro que os clubes grandes salvam a pátria, num campeonato que vez ou outra registra público inferior a mil pessoas. Juntos, os quatro têm média de 15.096 torcedores por jogo. Mas quem tem contribuído mesmo para este sucesso de público são Palmeiras e Corinthians. Quando um deles joga em casa é garantia de estádio cheio.

Dois fatores explicam a média de 21.626 pagantes por jogo de Corinthians e de 20.856 de Palmeiras (o confronto contra o Bragantino não está incluído): o fato de ambos estarem atuando em suas novas arenas e de terem programas de sócio-torcedor bastante eficientes. "Levar bom público ao estádio depende do rendimento do time, mas a associação das novas arenas com o sócio-torcedor tem grande influência (para o sucesso de público)"’, diz o consultor Amir Somoggi.

O gerente de operações da Arena Corinthians, Lúcio Blanco destaca que o aperfeiçoamento do processo de venda de ingressos contribuiu para o aumento de público – em casa, o time tem média de 27.361 pagantes/jogo neste Paulistão. "Sem dúvida a arena é um atrativo, mas a cada ano a gente vai ajustando o processo e apresentando de forma clara a política de preços."

Neste início de 2015 uma novidade atraiu os fãs, sobretudo os do programa Fiel Torcedor: um pacote com os oito jogos do time em Itaquera na primeira fase do Paulista, além do amistoso contra o Casuals e do jogo com o Once Caldas na pré-Libertadores. "E teve plano em que o desconto para o comprador foi de 70%. No plano de R$ 50, o desconto chegou a 50%"’, afirma Blanco. "Com isso, garantimos público no estádio e receita."

EM ALTA

O Palmeiras está nadando de braçada com a junção do Allianz Parque com o programa Avanti. Os números atestam: no Paulista de 2014, sem a arena e com time fraco, obteve média de 14.490 torcedores. Este ano, em cinco jogos na nova casa atingiu 25.624.

Com estádio supermoderno, confortável e o programa de sócio-torcedor que mais cresce no momento – o líder é o Internacional, com 130.205 sócios: na sexta-feira à noite o Alviverde atingiu 99.298 sócios, contra 83.356 do terceiro colocado, o Corinthians –, o clube só faz comemorar. "O torcedor Avanti chega a ser o segundo patrocinador master do Palmeiras", já chegou a dizer o presidente Paulo Nobre.

Ele tem razão. As cinco primeiras partidas feitas na arena deram ao clube, líquidos, R$ 6.058.478,18 – a renda do jogo com o Audax, que era mandante, foi dividida. "Quando a gente compara a boa presença de público com o faturamento é ainda mais significativo", analisa Amir.

Assim como o Corinthians, o Palmeiras sempre vende o "grosso" dos ingressos de seus jogos antecipadamente, para membros do Avanti – tem seis planos diferentes, com preços que variam de R$ 9.99 a R$ 599,99. Ou seja: a diretoria já sabe que terá bom lucro muito antes de o time ir a campo.

Na outra ponta, o São Paulo tem decepcionado. Até agora, com problemas na venda de ingressos, obteve média de 8.706. E o Santos (9.198) só atraiu boa torcida ao jogar no Pacaembu. Mas a tendência é que o Paulistão siga apresentando bom público. Com os grandes em campo.

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Campeonato Carioca é um fracasso de renda

Clubes grandes têm prejuízo em quase todos os jogos do campeonato

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

08 Março 2015 | 07h00

A Federação de Futebol do Rio (Ferj) tem destacado em publicações no seu site oficial o aumento de público no Carioca de 2015. A cada rodada, a comparação com os números da edição anterior leva seus dirigentes a exaltar a competição. Insistem em dizer que o modelo atual, com 16 clubes, é viável. Não atentam, porém, para o ponto que mais desperta o interesse dos grandes clubes – o prejuízo com as bilheterias.

O Vasco, por exemplo, sofreu com números negativos em seus cinco jogos iniciais do campeonato – com Cabofriense, Madureira, Tigres, Macaé e Barra Mansa. O prejuízo nessas partidas chegou a R$ 127 mil. Quando veio o clássico na sexta rodada com o Fluminense, no Engenhão, a receita do clube de São Januário foi de apenas R$ 16 mil.

A situação do Fluminense é muito parecida. Logo em sua estreia no Carioca o clube das Laranjeiras deixou a cidade de Volta Redonda, onde jogou com o Friburguense, com déficit de R$ 47 mil. E na partida contra o Vasco, recebeu apenas R$ 5,5 mil. O cenário no Botafogo não é muito diferente. Somente os jogos do Flamengo, com mais público, deixam algum dinheiro em caixa. Mas os valores são inexpressivos para o custo do futebol rubro-negro.

Na partida contra a Cabofriense, na terceira rodada, no Maracanã, o Flamengo ficou com R$ 10.495,98.

Embora razoável, a média de público de 2015 não ganhou impulso significativo com a categoria de sócio-torcedor de Fla, Flu, Vasco e Botafogo. Os quatro juntos têm praticamente o mesmo número de adesões que o Palmeiras – em torno de 100 mil.

Não fossem as cotas de TV e os clubes não teriam como disputar o Carioca. Cada um dos quatro grandes recebe por jogo R$ 311 mil da detentora dos direitos de transmissão.

"O Flamengo não pode ficar à mercê do excesso de taxas cobradas por jogo. Isso é totalmente desproposital", disse o presidente Eduardo Bandeira de Mello.

O borderô dos jogos não deixa dúvidas de que o campeonato não é rentável. São realmente muitas taxas e encargos. Um deles salta aos olhos: a Ferj recolhe cerca de 10% de toda renda bruta. No jogo de maior público do Carioca – Botafogo x Fla, com 44 mil pagantes –, federação e os dois clubes praticamente ficaram com a mesma cota – R$ 259 mil para o Alvinegro, R$ 246 mil para o Fla e R$ 209 mil para a entidade.

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