Rubens Chiri/ São Paulo
Rubens Chiri/ São Paulo

Campeonato Paulista vira teste para pré-Libertadores no São Paulo

Tricolor vai disputar cinco rodadas do Estadual antes de viajar à Argentina para encarar o Talleres

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2019 | 04h30
Atualizado 22 de janeiro de 2019 | 14h57

O São Paulo não conquista o Campeonato Paulista desde 2005, seu maior jejum de títulos estaduais na história. Mas nem por isso a edição atual será tratada de forma diferente. Na verdade, tudo neste primeiro semestre no clube gira em torno de outra competição, a Libertadores, que os comandados de André Jardine disputarão a partir da fase prévia. Até lá, o Paulistão servirá de laboratório.

No dia 6 de fevereiro, o São Paulo visita o Talleres, na Argentina, em seu primeiro duelo eliminatório rumo à fase de grupos do torneio continental. A partida de volta está marcada para o dia 13, no Morumbi. Se passar, o time brasileiro terá outro mata-mata pela frente. Ou seja, pelo menos até o início de março, quando o Paulista já estará em sua nona rodada (a três do encerramento da primeira fase), as atenções tricolores estarão divididas, com atenção obviamente maior para a Libertadores.

"O recado que posso passar para o nosso torcedor é que a partir do próximo jogo a gente vai estar pensando igualzinho a eles: a gente precisa vencer todos os jogos. A gente vai entrar com energia total a partir do primeiro jogo do Paulistão", prometeu Jardine, logo após a participação na Florida Cup.

Fato é que há um processo de transição em curso no elenco em relação à temporada passada. Muitas caras novas chegaram, sendo ao menos três com status de titular: Tiago Volpi, Hernanes e Pablo. Além de implicar em adaptação de quem chega, isso significa deixar gente importante em 2018 de fora, como aconteceu com Nenê e Diego Souza, reservas durante as duas partidas amistosas que o São Paulo disputou nos Estados Unidos, contra Eintracht Frankfurt-ALE e Ajax-HOL.

Até ajustar essa nova equipe, Jardine precisará de dois artigos raros no Morumbi nos últimos anos: tempo e paciência da torcida. Desde a saída de Muricy Ramalho do cargo, em abril de 2015, nenhum treinador chegou a 50 jogos no comando do time. O acúmulo de fracassos, inclusive no Estadual, tem feito o torcedor rifar também eventuais promessas que custam a vingar.

Ainda há um outro componente que torna este início de caminhada no Paulistão mais árduo. A estreia, sábado (19), às 19h30, contra o Mirassol, além das duas partidas seguintes como mandante, deverão ser realizadas fora do Morumbi, que passa por reformas. O Pacaembu será a casa temporária tricolor.

Em sua apresentação, há uma semana, Hernanes afirmou que chegava com sentimento de indignação por ver o clube do coração sem levantar uma taça há tanto tempo – a última foi a Copa Sul-Americana de 2012. A menos que o time supere todos os obstáculos citados até aqui, inclusive rivais mais fortes e ajustados, como o Palmeiras, fica difícil de imaginar o fim dessa história com o São Paulo no topo do Estado novamente.

TIME-BASE

Tiago Volpi; Bruno Peres, Arboleda, Anderson Martins e Reinaldo; Jucilei, Hudson (Liziero) e Hernanes; Helinho, Pablo e Everton. Técnico: André Jardine.

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