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Campeonato tricolor

A disputa do São Paulo, no momento, é com a turma da parte de baixa da classificação

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2017 | 03h00

A tabela mostra 20 times a disputar a Série A. Essa é a parte visível, superficial, óbvia. A prática, porém, indica ao menos duas modalidades de competição: aquela da corrida pelo título e a que engole quatro participantes e os empurra para a Série B. (Se bem que, neste ano, pelo jeito a briga em cima será no máximo por primeiras colocações, pois o líder Corinthians só pode ser enxergado com binóculos ou, logo mais, por telescópio...)

Muito bem, feita a premissa que prepara o desenvolvimento da crônica, a pergunta básica: em qual categoria se encaixa o São Paulo no momento? Evidentemente, e para frustração da torcida, na segunda. O que tempos atrás pareceria inimaginável, inadmissível, inadequado e outros “ins”, hoje é realidade: um dos maiores campeões do Brasil frequenta a zona de rebaixamento e debate-se contra o risco de humilhação histórica. O objetivo, por ora, é o de safar-se do bloco desespero, e assim será por várias rodadas.

O São Paulo vive período estranho, raro, de pertencer a grupo de equipes para as quais não se pode perder, de tão frágeis se apresentam na competição. Não por menosprezo dos demais, mas em consequência do próprio desempenho. Nas últimas oito partidas, foram cinco derrotas e três empates, 8 gols a favor, 14 contra, várias baixas no elenco e a demissão de um treinador. 

A prova maior de que o torneio tricolor de agora é com os mais débeis veio na quinta-feira, no empate por 2 a 2 com o Atlético-GO, em casa. E o adversário ainda teve a petulância de chegar à segunda igualdade com gol de calcanhar. Aí é demais! Outro indício de que todo compromisso se transformou em casca de banana está marcado para este domingo, no duelo com a Chapecoense, na condição de visitante. O time catarinense desce a ladeira, está imediatamente acima do São Paulo e faz com que duelo na Arena Condá valha “seis pontos”: são 15 dos anfitriões contra 12 dos paulistas. 

A vitória é, portanto, obrigatória para a turma de Dorival Júnior, para não permitir que um dos concorrentes ao limbo chamado Segundona tome fôlego. Tarefa nada fácil. O substituto de Rogério Ceni assumiu dias atrás e, de cara, percebeu que o primeiro buraco a tapar está no sistema defensivo. A deficiência vem desde o início da temporada. Antes, menos preocupante porque o ataque compensava com os muitos gols que sapecava. Depois, a vocação ofensiva arrefeceu e as brechas na marcação se mostraram devastadoras.

Dorival tentou dar novo formato à defesa, na quinta-feira, com Buffarini de retorno, ao recém-chegado Arboleda, além dos costumeiros Rodrigo Caio e Júnior Tavares. Ainda colocou Jucilei e Petros para reforçar o paredão, com eventual ajuda de Gomez e Cueva. Funcionou em parte, sobretudo na etapa inicial. Com o cansaço e a tensão na segunda sobressaíram as limitações e vieram os gols goianos.

Para piorar, Lucas Pratto se mostra estrela solitária. O argentino corre, desloca-se, pede bola, divide, chuta a gol. Faz o que pode, e esforço inútil. Faltam as descidas dos laterais e a chegada do trio intermediário para o apoio. Não existe harmonia. A maré no São Paulo é de amargar.

Pressão no Parque. O estádio do Palmeiras até recentemente era alçapão e garantia, no mínimo, de empate. O Corinthians pôs por terra esse trunfo, com os 2 a 0 na quarta-feira, que praticamente tirou o centenário “inimigo” do caminho da taça.

A torcida anda cismada com a perspectiva de não festejar coisa alguma. Isso significa que Cuca e seus rapazes devem preparar os ouvidos para ouvir poucas e boas, na manhã deste domingo, se não ganharem do Vitória. Não se admite sequer o meio-termo do empate. E a dúvida: qual escalação? É um entra e sai danado - e nada de surgir time confiável.

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