Campinas brilha na Série B do Paulista

Este ano, o Campinas FC não contratou treinador. O presidente do clube, Edmar Bernardes dos Santos, resolveu ele mesmo ir a campo orientar os jogadores. Seria mais um caso de cartola interferindo no time não fosse Edmar um ex-artilheiro nato, com passagens pela seleção brasileira e grandes times do Brasil e do exterior, como Palmeiras e Corinthians. O resultado da participação do time na primeira fase da Série B do Paulistão - nome pomposo para a Quarta Divisão - não poderia ser melhor. O Campinas é o melhor time da competição, com 33 pontos em 13 jogos - aproveitamento de 84% -, único invicto e, de quebra, tem o artilheiro isolado: Caio, de 19 anos, com 16 gols. O XV de Caraguá foi a última vítima - levou por 3 a 2, jogando em casa. "Este ano temos grandes chances de conseguir o acesso. Tudo está dando certo. Os resultados estão acontecendo e acredito que conseguimos montar uma boa base", diz Edmar, que tem como sócio na empreitada o também ex-jogador Careca. A maior parte dos jogadores foi revelada pelo próprio Campinas, ou melhor, nas escolinhas do Careca Sport Center, em Campinas, onde Edmar e Careca administram um complexo esportivo. Caio, por exemplo, mora nos alojamentos do clube desde os 15 anos. Seus pais residem no bairro Jardim das Vertentes, no Butantã, em São Paulo. "Eu já era técnico das categorias menores e esse grupo foi subindo, subindo", conta Edmar. "No ano passado, participamos da Copa São Paulo de Juniores e fomos o primeiro clube a se classificar. Infelizmente, fomos eliminados na fase seguinte, nos pênaltis". A pior lembrança, no entanto, foi no quadrangular final da extinta Série B2 do ano passado, quando o time fez uma ótima campanha e só precisava de um ponto nas últimas duas rodadas. "Perdemos as duas partidas que faltavam. Foi uma pena. O acesso escapou pelos nossos dedos", lamentou. Este ano, o Campinas fez uma mudança que deu certo. Começou a mandar seus jogos no Cerecamp, o antigo estádio do Mogiana, no centro de Campinas. "Foi uma forma de nos aproximarmos da torcida da cidade. Já temos um grupo de simpatizantes que acompanha o time. É lógico que não dá para comparar com a torcida de Guarani e Ponte Preta, mas aos poucos estamos ganhando a simpatia da cidade", revela Edmar. No início, o Campinas mandava seus jogos em Pedreira, cidade nas cercanias de Campinas. O primeiro candidato a ídolo é o atacante Caio, de 19 anos, 1,77m e 67 quilos. Natural da Capital, Caio Muller Ribeiro da Silva mora nos alojamentos do clube e faz supletivo. A velocidade é a sua principal arma. "Ele lembra um pouco meu estilo", compara Edmar. "Mas eu era mais técnico e ele é bem mais veloz". Como todos os garotos, ele sonha em deslanchar sua carreira profissional. "Na Série B, todos os jogadores estão buscando uma chance no futebol. Todos querem melhorar. As partidas são muito corridas e disputadas", conta Caio, que não é o único jogador da família. Seu irmão mais novo, José Leonardo, de 17 anos, treina no São Paulo. Mas tenta a sorte na zaga.

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