Campo minado

O Corinthians x Palmeiras deste domingo tem tudo para ser tenso e emocionante

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2018 | 04h00

Havia dúvida a respeito do título para a crônica de mais um Corinthians x Palmeiras. O mais tradicional clássico paulista poderia ser precedido por um “Tela Quente”, já que haverá transmissão pela televisão. Porém, serve o “Campo minado”, porque o choque entre dois rivais centenários tem tudo para ser explosivo – de preferência, no melhor sentido figurado, de técnica, emoção e gols.

Mas pode ser tenso mesmo, literalmente, por aquilo que ocorreu desde 8 de abril, data da final do Estadual. O polêmico recuo da arbitragem em pênalti em favor do Palmeiras, com suposta interferência externa, rendeu declarações desaforadas, desmentidos e uma investigação com detetives do lado perdedor, o verde.

A deselegância envolveu os presidentes. O palmeirense Galliotte mais de uma vez se referiu ao título perdido como sendo do “Paulistinha”, ou seja um torneio menor, que não faria falta nenhuma. Com isso, fez sentirem-se logrados os 40 mil palestrinos que naquela tarde de domingo foram ao Allianz Parque. Quer dizer que, em caso de conquista, fariam festa por uma ninharia? O alvinegro Sanchez replicou com o sovado e roto “o choro é livre” e ainda se permitiu fazer considerações sobre a política salarial do adversário. Um festival de gafes posteriores ao duelo, que só em parte respingou sobre os dois elencos. Com a bola a rolar, a maré também não fora mansa.

A prática mostrará o tamanho do estrago provocado pelo atrito. As duas equipes chegam ao confronto em situação semelhante, embora um tantinho mais ajustado o Palmeiras. Na Libertadores, já passou de turno, o que não ocorreu ainda com o rival. Em compensação, o Corinthians já se garantiu nas quartas da Copa do Brasil e o oponente tem de fazer o jogo de volta com o América-MG, a quem bateu em São Paulo. Os palmeirenses estão invictos na Série A, com 8 pontos; os corintianos perderam uma e têm 7. Roger está com a tropa em ordem, exceto Felipe Melo, suspenso, o que talvez até seja bom dado o temperamento do moço. Carille amarga baixas como as de Fagner, Ralf, Renê Júnior, Clayson.

O Palmeiras está com o perfil um pouco modificado e próximo da formação ideal. Na defesa, Edu Dracena retornou à zaga e a partir de agora só sairá por força maior. Tem experiência, o que compensa a diminuição na velocidade. No meio, Lucas Lima retomou rapidinho a vaga titular, que esteve em risco com a ascensão de Moisés, de novo fora de combate. Na frente, Keno se consolidou como nome forte, William voltou e deve alternar presenças com Borja. Nenhum dos dois tem cadeira cativa. Importa que o conjunto afinou a sintonia, está em evolução e começa a justificar a condição de candidato a papel de protagonista.

O Corinthians derrapou em desafios recentes, o principal deles na derrota para o Independiente, em casa, pela Libertadores. A reação veio diante do Vitória, na Copa do Brasil, o que tirou ansiedade para este domingo. Carille volta a apostar na dupla Rodriguinho/Jadson para desequilibrar e se rende ao talento de Pedrinho, um astro a despontar. O rapaz terá a primeira prova de fogo no dérbi.

101 anos de história estarão no campo (minado?) de Itaquera. Sempre é especial Corinthians x Palmeiras.

Convocação

A lista de Tite não deve causar comoção, numa repetição do que aconteceu em 2006, 10 e 14, com Parreira, Dunga e Felipão. Um ou outro nome chamará atenção, sem arrancar aplausos ou indignação. Os nomes preferidos se conhecem há tempos e restam raras dúvidas, a mais recente no substituto do cortado Daniel Alves. O consenso pode ser bom, resultado do trabalho. Mas, sei lá, a última grande celeuma foi em 2002, quando Felipão deixou Romário fora, e o Brasil voltou com o penta na mala.

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