Fabiano Arccosi
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Candidato de Laor quer investigar contratação de Leandro Damião

Presidenciável santista afirma que fundo de investimento 'não corre nenhum risco' na negociação envolvendo o centroavante

VANDERSON PIMENTEL, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 16h13

Os salários atrasados, aliados às contratações que não deram certo, fizeram com que o Santos oscilasse em 2014, após um bom início de temporada. Para mudar a gestão atual, comandada pelo presidente Odílio Rodrigues, o superintendente do clube entre 2010 e 2011, Fernando Silva, lançou sua candidatura oficial chamada de "Mar Branco" nesta quarta-feira, em bar na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Apoiado por Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, o presidenciável pretende investigar as contas da controversa contratação de Leandro Damião, investir na base e fazer um novo estádio para o time da Vila Belmiro.

Homem de confiança do ex-presidente desde a época em que Fernando Silva era superintendente, Luis Álvaro explica que o atual candidato não permaneceu no cargo por votação do Comitê de Gestão, realizada há três anos. "O Fernando seria o diretor de futebol dos meus sonhos, porque inegavelmente era o que mais sabia de administração no futebol. Criamos um contrato para ele, que tinha validade até 2011. Ao fim do contrato, o conselho colocou em votação, mas ele acabou saindo porque 5 votaram contra e 4 a favor."

Aos 71 anos e 30 quilos mais magro, após superar problemas de saúde que o afastaram, e também o fizeram renunciar do cargo de presidente do Santos no primeiro semestre de 2013, Laor reiterou que caso Silva seja eleito, será apenas um conselheiro. "Disse a ele que não sou candidato a nenhum cargo, mas posso estudar uma proposta de ser gandula contra o Corinthians", brincou. "Vou me colocar à disposição para que ele possa manter contato, pedir um conselho. Estarei à disposição para ajudar".

Fernando Silva, que já havia tentado chegar ao posto quando Marcelo Teixeira foi reeleito presidente do Santos pela primeira vez, diz que sua primeira atitude, caso eleito, é entender a controversa negociação de Leandro Damião, que custou R$ 42 milhões, que serão pagos até 2017 para a empresa Doyen Sports. "O fundo de investimento não corre nenhum risco. Ele não apostou no Damião. O fundo emprestou dinheiro ao Santos e usa o clube como vitrine e fala-se que o Santos deu como garantia o dinheiro do contrato com a Globo de 2017 e alguns garotos da base. Isso não é certo e a primeira coisa que faremos quando assumirmos é investigar isso".

Mesmo ciente dos atrasos de salários dos últimos tempos, apesar de responsabilizar a situação por fechar negócios a custos muito altos, o candidato não demonstra tanta preocupação com o tema. "A dívida não assusta. Precisamos ir nos patrocinadores, nos pontos de investimentos, porque foi assim que a gente fez em 2010, e principalmente parar de fazer bobagem. No começo de 2013, contrataram vastos jogadores com salários irreais. Um gestor é obrigado a entregar uma empresa melhor do que recebeu e vamos receber em 2015 muito pior do que recebemos", acusou, em referência a Odílio Rodrigues.

Fernando Silva, que ganhou respeito no clube ao contratar jogadores baratos e que renderam dinheiro aos cofres do clube, como Zé Eduardo e Danilo, promete focar seus investimentos na formação de novos "Meninos da Vila". "Nosso primeiro ponto é manter o DNA do Santos de jogar um futebol ofensivo que deve ser implantado em todas as categorias do clube e o segundo é investir nos centros, investir maciçamente na base, porque o Santos é um clube formador."

Precursor do programa de sócios-torcedores, Fernando Silva deseja retomar o projeto, que de acordo com ele, foi esquecido pela diretoria atual. "O nosso marketing tem que sair agora com o conceito de negócios, mudar o jeito que administra suas receitas e retomar a comunicação entre sócios e clube. Entre 2010 e 2011, durante nossa administração, o Santos foi o time teve a maior conversão de sócios no País."

Fernando Silva também promete investir na construção de um estádio. Na onda de Corinthians, com o Itaquerão, e do Palmeiras, com a reforma do Palestra Itália, o candidato pretende tirar o projeto do papel, e viabilizá-lo em algum lugar, que deve ser estudado com mais calma nas próximas semanas. "Não da para jogar esse tema embaixo do tapete. Temos que adequar os jogos em Santos, na Vila, em São Paulo, no Pacaembu, e em outra praça, que durante esse tempo, temos de tomar vantagem de fazer uma arena fixa", disse.

Após o anúncio de Fernando Silva, outros conselheiros devem anunciar suas chapas nos próximos dias. Modesto Roma Junior, Vagner Lombardi e José Carlos Peres devem seguir o caminho da oposição, enquanto Nabil Khaznadar poderá ser o presidenciável escolhido pela gestão atual. As eleições que definirão o novo mandatário do Santos vão ocorrer no dia 6 de dezembro.

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