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Canelada olímpica

Concorrentes diretos na briga pelo título brasileiro são prejudicados por convocações

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2016 | 05h00

Fernando Prass, Gabriel Jesus, Thiago Maia, Zeca, Gabigol, Luan têm algumas coisas em comum. São bons de bola, titulares de times que ocupam a parte de cima da classificação do Brasileiro e... fazem parte da lista de convocados para a seleção olímpica. Por causa do sonho do ouro no futebol, os dois primeiros desfalcarão o Palmeiras por muitas rodadas, assim como os três santistas e o atacante do Grêmio serão baixas na hora em que a competição nacional pega fogo.

A CBF desferiu no trio de concorrentes ao título da Série A uma bem dada canelada olímpica – e todos aceitaram de cabeça baixa, ao contrário de europeus, que negociaram liberação de atletas ou se negaram a atender ao apelo da pátria de chuteiras. O grupo fica, a partir de agora, à disposição de Rogério Micale, técnico de equipe que se reúne pela primeira vez menos de 20 dias antes dos Jogos.

O problema não está na requisição dos rapazes; a experiência lhes será interessante e lucrativa, mesmo que seja lorota a conversa de "projeto olímpico". A inconveniência se manifesta no fato de o campeonato não parar. Ao contrário, continuará como se nada de extraordinário estivesse a ocorrer no período. E os clubes se omitem.

Líder que marca. Prass e Gabriel Jesus foram de novo importantes para o Palmeiras, que chegou à 10.ª vitória em 15 apresentações. O goleiro esbanjou segurança, nas raras investidas do Inter, no clássico de ontem à tarde, em Porto Alegre, e o atacante infernizou a zaga rival. Gabriel criou chances – e as perdeu, para variar –, chamou faltas, abriu espaços e até recuou para defender. Houve momento, na etapa final, em que concedeu três escanteios, tão concentrado estava em fechar espaço.

O Palmeiras soube equilibrar, no Beira-Rio, o ímpeto ofensivo e a cautela ao ser pressionado. Ao mesmo tempo em que buscou o gol, sobretudo em contragolpes, teve estratégia e inteligência para domar e anular o Inter. A turma de Cuca não foi retranqueira; longe disso. Só no primeiro tempo, poderia ter saído com vantagem de dois ou três gols. Mas se mostrou solidária em toda ocasião em que era atacada.

Um dos segredos para a quebra de tabu de 19 anos sem bater o Colorado em casa foi Thiago Santos. O moço se comportou como cão de guarda, se desdobrou e entortou o meio-campo gaúcho. Cuca ainda testou mudanças, como a entrada de Leandro no lugar de Roger e Rafael Marques na vaga de Erik. Não tirou Gabriel porque Cleiton Xavier sentiu dores e precisou ceder vaga para Dudu. Como tem elenco vasto, o treinador palestrino aposta na hipótese de sentir menos a ausência de peças-chave como Prass e Gabriel.

Já Falcão percebeu, no retorno ao banco do Inter, o tamanho do enrosco em que se meteu. O time acumula seis derrotas (cinco consecutivas) e um empate nos últimos sete jogos, despencou na tabela e não acha rumo. Mai suma vez no papel de fogo de palha.

Superação tricolor. O São Paulo tinha tudo para sair abatido do choque em Itaquera, após a desclassificação na Libertadores e a negociação de três jogadores. No entanto, comportou-se bem, dentro dos limites, segurou o Corinthians e botou um ponto a mais na algibeira. O 1 a 1 teve valor de vitória para tricolores.

O resultado vai na conta da dedicação são-paulina e nos erros alvinegros. Cristóvão Borges conseguiu equivocar-se nas três substituições: tirou o trio Rodriguinho, Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel para colocar Elias, Guilherme e Rildo. Se o Corinthians não ia bem com os que começaram, ficou mais capenga com os que entraram. A ponto de permitir que o adversário chegasse com perigo nos minutos finais.

O São Paulo se doou, e mereceu o prêmio do empate. Porém, haverá que melhorar muito, para brigar ao menos pelo G-4. (A propósito: quem vendeu a ideia de Centurión como craque?) O Corinthians deu sinais de que terá dificuldade para manter-se colado na liderança.

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