Cantar o hino não tira concentração dos jogadores

Marcelo e David Luiz não acreditam que sensação possa atrapalhar o desempenho dos atletas no início das partidas

Almir Leite, Sílvio Barsetti - Enviados especiais a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2014 | 05h00

Nos últimos jogos da Copa, tem sido nítida a emoção de vários atletas durante a execução do hino dos países. Há manifestações mais exaltadas, principalmente quando a torcida canta o hino à capela – ou seja, prossegue a canção mesmo com a interrupção no sistema de som dos estádios.

Há quem acredite que um envolvimento exagerado do jogador naquele momento pode interferir em seu rendimento no início dos jogos. O ex-craque Zico é um deles. "O problema é se afeta o controle emocional do atleta, que se deixa contagiar tão intensamente", disse, em entrevista à ESPN. "Pode, às vezes, desconcentrá-lo nos primeiros 5, 10 minutos."

Ontem, o lateral-esquerdo Marcelo falou o sobre o tema em entrevista na Granja Comary. Ele não concordou com a análise de Zico.

"Não acho que a emoção atrapalhe. Quando os torcedores cantam o hino, é coisa de outro mundo. Só quem está no campo sabe. É uma forma de estar mais perto do povo brasileiro", declarou o jogador.

Para o zagueiro David Luiz, que também falou com os jornalistas na Granja, não há nada negativo no entusiasmo com o hino. "As pessoas têm orgulho de lembrar suas raízes. É bonito de ver nossa seleção, nossa gente cantando."

David Luiz comentou que outras torcidas têm repetido esse comportamento na Copa, especialmente aquelas das equipes da América Latina.

"É bonito ver os outros países também fazendo dessa forma, com orgulho de ser de onde são. Não é uma competição fora do estádio, mas uma coisa linda que está acontecendo na Copa. Depois, começa o jogo e estão todos gritando, como a torcida do México, no jogo com o Brasil", acrescentou.

O hino à capela virou moda a partir da reação da torcida no jogo do Brasil com o México, ano passado, pela Copa das Confederações, no Castelão.

A torcida presente ao estádio não se contentou com os pouco mais de 30 segundos de gravação, tempo estipulado pela Fifa para competições oficiais, e tomou fôlego para continuar cantando hino com disposição. Os atletas fizeram o mesmo.

Foi assim no restante da Copa das Confederações até a final com a Espanha, em que o Brasil venceu por 3 a 0 num Maracanã que fez o hino ecoar ruidosamente.

A abertura da Copa do Mundo, com Brasil x Croácia, no Itaquerão, repetiu a iniciativa. Depois, no jogo da seleção com o México, novamente no Castelão, o fenômeno espontâneo das arquibancadas mais uma vez se fez presente.

* Colaborou Leandro Silveira

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