Capez culpa impunidade pela violência

Segundo o promotor da Justiça de Cidadania, Fernando Capez, a falta de impunidade é o principal motivo para a continuidade dos atos de violência praticados por torcedores de futebol, dentro e fora dos estádios. Na manhã de domingo, integrantes da palmeirense Mancha Alviverde e da são-paulina Independente brigaram na Marginal do Tietê, em São Paulo, quando iniciavam a viagem para São José do Rio Preto, onde as duas equipes jogaram. Capez, que já extinguiu as torcidas organizadas Mancha Verde e Independente, acredita que o primeiro passo para mudar este cenário tem de ser dado pelo Congresso Nacional. "É preciso mudar a legislação em relação aos torcedores que são pegos com explosivos, arma de fogo ou arma branca (faca ou canivete) nos estádios, fora deles ou a caminho dos jogos. Eles têm de ter medo de passar a noite no xadrez com os outros presos."O promotor explica que hoje, quem é pego com arma branca não comete um crime. É contravenção penal. Crime, só para quem está portando arma de fogo ou explosivos. "Mesmo assim, pagam a fiança e saem da cadeia."De acordo com Capez, também é preciso "instalar" um tribunal de pequenas causas nos estádios. "Basta um promotor, um delegado e um defensor público fazerem plantão na porta do estádio. O torcedor que invadir ou atacar objetos no campo pode ser punido com limitação de fim de semana ou ter de prestar serviços públicos."Capez também observa que é preciso acabar com os pequenos grupos formados na periferia, que produzem verdadeiros arsenais de guerra e levam aos estádios. A sugestão é infiltrar agentes do 2º Batalhão de Choque entre os torcedores. "Sem o flagrante é quase impossível prender quem comete um delito. Sem esse artifício, o torcedor é detido e logo liberado."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.