Capez deve pedir extinção de torcidas

O conflito entre as duas maiores torcidas organizadas do Palmeiras - que no domingo virou briga de rua nos arredores do Parque Antártica - foi provocado pela passagem de associados da Mancha Alviverde para a Torcida Uniformizada do Palmeiras (TUP). Esta, pelo menos, é a versão da diretoria da TUP, uma das partes envolvidas. A outra, a Mancha, procurada hoje, não quis se pronunciar e prometeu um comunicado público para o decorrer da semana. O promotor da Justiça e Cidadania Fernando Capez ainda não analisou os vídeos da confusão feitos pela Polícia Militar, mas deve pedir a extinção das duas torcidas. As duas agremiações já vinham tendo pequenas richas desde o jogo entre Palmeiras e Tacuary, pela Fase Preliminar da Libertadores, no dia 9 de fevereiro. Após o clássico contra o São Paulo, há duas semanas, o comando da Polícia Militar interveio e fez reuniões entre diretores da TUP e da Mancha, em busca de um acordo de paz. O pacto foi prometido, mas descumprido no domingo, momentos antes do jogo contra o Santos, e a Rua Turiaçu foi transformada em palco de guerra. No final, cerca de 60 brigões foram detidos - e libertados posteriormente - e dois ficaram feridos mais gravemente. "Após a proibição em 95, a TUP ficou cinco anos desativada e, desde 2000, estamos levantando a torcida aos poucos. Recentemente, alguns integrantes da Mancha que, por alguma razão, estavam descontentes, começaram a nos procurar e debandar para o nosso lado. Acredito que isso tenha causado um certo ciúme, um mal-estar e um inconformismo do lado de lá", diz o empresário Luís Pagenotto, de 41 anos, relações públicas e diretor tesoureiro da TUP. Segundo Pagenotto, os integrantes da TUP não sentiram confiança no acordo de paz feito após o jogo entre Palmeiras e São Paulo e muitos esperavam confusão. "Não tivemos firmeza e estava todo mundo na expectativa que acontecesse alguma coisa no domingo. A turma se preparou para não ir para apanhar", diz o diretor da TUP. "Chegamos juntos. Eu conversei com o coronel Marinho (Marcos Marinho de Moura, comandante do 2.º Batalhão de Choque da PM) e parecia que não aconteceria nada. O pessoal se dispersou, mas, de repente, veio a turma do Coração Valente, gritando e agredindo logo de cara." O diretor da TUP, torcida que conta hoje com 400 sócios cadastrados, diz que, na véspera, foi à lojinha da agremiação do estádio e retirou tudo o que podeira ser usado como arma em caso de briga. "Nossa melhor defesa é nossa história e as imagens gravadas pela PM. A TUP respeita muito o Palmeiras e não quer confusão, não quer tumultuar o clube. Queremos pedir desculpas, de coração." JUSTIÇA - Após as primeiras informações sobre a briga, o promotor Fernando Capez pensou em multar as torcidas, mas agora pensa em punição mais severa. "Estou inclinado a pedir a extinção, mas devemos esperar pelo material da PM", disse Capez, que se reunirá quinta-feira com o coronel Marinho.

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