Capitais ferventes

Amigo leitor, a tarde de domingo tem tudo para ser quente no futebol. Como, aliás, seria o correto sempre. Ao menos em três capitais importantes - São Paulo, Recife e Rio de Janeiro - há jogos que prometem dar o que falar. Por motivos variados, as atenções se voltam para os duelos Palmeiras x Santos (Allianz Parque), Sport x São Paulo (Arena Pernambuco) e Fluminense x Vasco (Maracanã). Resultados que mexerão no topo e na base da classificação do Brasileiro. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2015 | 03h00

No novo e rebatizado Palestra Itália, agora adaptado para as modernidades do século 21, um clássico doméstico apontará rumos para velhos conhecidos. O Palmeiras ensaia reação há cinco rodadas e entra de vez na briga pelos primeiros lugares, se... passar pelo Santos, na turma de baixo e com medo danado do descenso. 

Sem conversa mole, nem ficar em cima do muro, vamos direto ao tema: o favoritismo é do Palmeiras. Constatação, apenas, e óbvia diante da realidade das duas equipes. O time de Marcelo Oliveira se ajustou, enfileirou quatro vitórias consecutivas e, por pouco, não voltou com outros três pontos, na visita que fez ao Sport, uma semana trás. Teve de contentar-se com o empate por 2 a 2, que revelou maturidade do grupo ainda em formação. O último a chegar foi o paraguaio Barrios, com a perspectiva de logo arrumar vaga.

Marcelo terá praticamente a formação que usa como principal, com exceção de Vítor Hugo, ainda em recuperação. Conta, até, com Dudu, que nesta segunda-feira vai a novo julgamento e corre o risco de ver ratificada a suspensão de 180 dias por confusão em que se meteu justamente contra o Santos, na decisão do Campeonato Paulista.

O Palmeiras evolui, apresenta repertório mais variado do que nos tempos de Oswaldo Oliveira, aumentou o entrosamento e a mobilidade é maior. Não se trata de esquadrão - como, de resto, não há nenhum por aqui. Mas ficou confiável e com pretensão justa de mirar objetivos atrevidos. 

A regra fundamental consiste em não ceder pontos para quem enfrenta crise - caso do Santos. Dorival Júnior chegou dias atrás, estreou com pé direito e passou a semana a ensaiar maneiras de equilibrar a equipe. O treinador preparou a rapaziada dele ao menos para beliscar empate, que não resolve muito na tabela, porém terá impacto forte no astral. O Santos, com salários atrasados e sem perspectiva de investimento, se vale da condição de franco-atirador. E assim espera incomodar.

Sobe e desce. O tira-teima em Recife não é menos empolgante. Sport e São Paulo têm pontuação idêntica - 24 -, embora o tricolor leve vantagem no número de vitórias (7 a 6). O Leão, em compensação, se mantém invicto como mandante e dá suadouro e tanto. 

Juan Carlos Osorio devagar, sem alarido, dá padrão ao São Paulo, ajeita a defesa, busca o lugar adequado para cada jogador no meio-campo e vê crescimento de Pato e até regularidade em Luis Fabiano. O problema é o elenco enxuto, com poucas opções.

Se o São Paulo não tropeçar contra o eficiente Sport, também engata uma quinta marcha e embola o G4. Como cautela não faz mal a ninguém, não colocaria empate nos cálculos pessimistas, desde que os que estão acima não desgarrem. 

No Rio. Fluminense e Vasco também reúne extremos. O tricolor passeia pelo alto, com ares de quem entrou com vontade na corrida pela taça; ao contrário do rival, atolado no fundo. Jogo para o Flu aumentar a distância e, de quebra, esnobar, com a apresentação oficial de Ronaldinho. Não custa lembrar que, duas semanas atrás, o presidente vascaíno alardeava que o gaúcho tinha “90 por cento de chance de assinar” com o clube. Tomou tremendo chapéu. 

Fifa. Muito cartola graúdo passou a ter agenda lotada - Marco Polo Del Nero, da CBF, é um deles - e não poderá participar da assembleia geral da Fifa, marcada para amanhã. Pelo visto, ela será por teleconferência.


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