Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Capital paulista tem domingo especial com eventos dos Ronaldos

Fenômeno e o Gaúcho promovem ações com o público e movimentam dia sem partidas oficiais em São Paulo

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2017 | 07h00

Dois Ronaldos pentacampeões mundiais pela seleção brasileira transformaram o domingo paulistano. Em um dia sem jogos oficiais pela cidade, o Fenômeno e o Gaúcho promoveram eventos e se aproximaram de públicos que tiveram pouca chances de vê-los de perto quando os dois estavam no auge.

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A dupla pode não viver mais os melhores momentos no futebol, mas representam o último título mundial do Brasil e tem carisma capaz de mobilizar fãs pela cidade. Para muitos paulistanos o dia foi especial pela simples oportunidade de agora em diante poder dizer: "Vi o Ronaldo de perto".

A ocasião foi mais especial para a comunidade do Jardim Irene, na zona sul da capital. O bairro transformado em local famoso pelo filho ilustre, o ex-lateral Cafu, recebeu neste domingo o ex-atacante Ronaldo, capaz de parar a periferia e fazer a manhã de vários garotos ser especial.

O artilheiro brasileiro em Copas do Mundo foi acompanhar a final de um torneio sub-13 entre times de comunidades. Padrinho do torneio, ele cumprimentou os meninos antes da decisão e escolheu os dois melhores em campo para passarem a integrar o projeto dele de formação de jogadores.

As vielas do local ficaram cheias de gente atrás de seguir o carro que transportava Ronaldo e se aproximar dele. Muitos que se acomodaram nas arquibancadas carregavam camisas do Corinthians, clube onde o atacante conquistou os últimos títulos da vitoriosa carreira.

Embora o sonho de conseguir um autógrafo do ídolo fosse coletivo no bairro, a oportunidade de contato com o Fenômeno foi para poucos. Somente tiveram a honra de conseguir fotos com o ex-artilheiro foram garotos que, pelo ano de nascimento, não chegaram a vê-lo no auge da carreira pela seleção.

"Eu acompanhei pouco da carreira do Ronaldo, mas vi muitos vídeos dele. Nunca pensei que algum dia ele chegasse a visitar meu bairro", disse o garoto João Vitor Pereira, de 13 anos. O atacante do time de uniforme verde se descreve como ponta direita driblador e nasceu somente dois anos antes de Ronaldo fazer o último jogo oficial pela seleção brasileira.

Morador do Jardim Irene, garoto se destacou com o gol na decisão e comemorou dois feitos. O título do campeonato pelo time do bairro lhe possibilitou ser um dos selecionados para o projeto de Ronaldo. A partir de agora serão no mínimo dois anos com despesas pagas e vaga na Fenômeno Academy. Manhã inesquecível e acompanha de perto pela mãe, posicionada na arquibancada. 

O ex-atacante foi ao campo entregar o troféu à equipe campeã, uma presença que deixou os garotos de origem simples incrédulos. O próprio Ronaldo, como vive na Espanha, não costuma promover eventos dessa natureza no Brasil e afirmou estar contente em relembrar o começo de vida.

"Eu me vejo nessas crianças. Disputei vários campeonatos como esses quando estava começando. É maravilhoso estar aqui e passar o exemplo de que você pode sair da periferia e vencer qualquer desafio", afirmou Ronaldo, criado no bairro de Bento Ribeiro, no Rio.

O jogador aposentado disse carregar agora uma expectativa tão grande quanto à dos tempos de atacante. "A responsabilidade atual do jogador é muito grande. No mundo de hoje, onde enfrentamos crises em todos os lados, as pessoas sentem falta de pessoas com credibilidade, e o futebol passa isso para as pessoas", comentou.

Do reduto pentacampeão do Jardim Irene, a cidade de São Paulo voltou a atenção à tarde para outro encontros de heróis da Copa de 2002. O meia Ronaldinho Gaúcho reuniu companheiros como Lúcio, Vampeta e Denilson em um jogo festivo no Pacaembu.

O jogador escolhido duas vezes melhor do mundo atraiu 11 mil pessoas ao estádio, mesmo sob chuva. Ronaldinho jamais atuou por equipes paulistas e conseguiu promover uma cena rara em São Paulo: torcedores de camisas de vários times rivais compartilharam o mesmo espaço, em clima de confraternização.

Ronaldinho fez lances de habilidade, dribles bonitos e a típica jogada de olhar para um lado e passar a bola para o outro. No âmbito coletivo, ele repetiu tabelas com Falcão, do futsal. "O Falcão não está acostumado a colocar chuteira. Quando coloca, quer extravasar", brincou o meia entrevista ao SporTV. O dono da festa protagonizou o ápice da tarde, ao marcar do meio-campo.

O goleiro são-paulino Sidão estava adiantado e foi surpreendido. "A gente fez um sinal, ele ficou olhando como se fosse chutar por cima, eu mostrei o calcanhar, depois ele chegou em mim e falou que não acreditou que eu ia fazer. Deu certo, foi muito legal." O meia deixou o gramado no segundo tempo e fugiu das entrevistas. A missão beneficente estava cumprida, assim como outro papel. Sem jogar profissionalmente desde 2015, Ronaldinho aprendeu a ser um showman.

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