Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Capitão do tri da Libertadores, Geromel quer ir ainda mais longe

Antes de pensar em um possível duelo com o Real Madrid, zagueiro pede pensamento na semifinal do Mundial

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2017 | 07h00

Pedro Geromel é um jogador de carreira ímpar no futebol brasileiro. Contrariando o tradicional, ascendeu na carreira e se tornou ídolo de uma torcida já com idade “avançada”. Chegou ao Grêmio em 2014, aos 28 anos, numa aposta do diretor Rui Costa – hoje na Chapecoense. Até então, Geromel havia tido carreira exclusivamente em clubes pequenos na Europa. “Meu primeiro time grande foi o Grêmio”, lembra o zagueiro e capitão gremista.

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“Os times que joguei nunca conquistaram título, mas eu sempre fiz o meu melhor por eles. Tive uma carreira muito feliz, acho que tomei minhas melhores decisões, mas quando tive a oportunidade de vir para o Grêmio não pensei duas vezes, justamente pela oportunidade de conquistar títulos.” No último ano, ele participou da campanha de dois: a Copa do Brasil de 2016 e, recentemente, a Libertadores da América.

Chamado de “Geromito” pela torcida gaúcha, foi ele quem levantou o troféu mais cobiçado das Américas no fim do mês passado. Agora, espera repetir o feito no Mundial de Clubes. O time gaúcho faz seu primeiro jogo na próxima terça-feira, e se vencer deverá fazer a final com o Real Madrid no próximo sábado. Seria a coroação de um ano perfeito – e um motivo a mais para buscar uma vaga na seleção que irá disputar a Copa do Mundo na Rússia.

Confira o que pensa o jogador, que conversou com o Estado na última segunda-feira, durante a premiação dos melhores do Brasileirão.

REAL MADRID

Fomos campeões da Libertadores pensando passo a passo, e é isso que a gente vai fazer. Vamos dissecar o adversário, estudar, ver as características deles. Primeiro vamos pensar na semifinal, e depois torcer para estar na final. Claro que temos essa expectativa, o Real Madrid é o maior time da atualidade, com os melhores jogadores do mundo. Não é só o Cristiano Ronaldo.

CRISTIANO RONALDO

Joguei contra ele na Espanha. Acho que os números falam por ele. Cristiano Ronaldo tem média praticamente de mais gols do que jogos. É um jogador que atua nos melhores campeonatos do mundo e tem essa média. Nos últimos dez anos, ele ganhou cinco vezes o prêmio de melhor jogador do mundo – e quando não ganhou foi segundo. Não tem nem o que falar.

RENATO GAÚCHO

Ele comanda nosso time, é um gestor, todo mundo sabe que ele gere muito bem o trabalho. E também entende muito de futebol, tem um conhecimento muito profundo e passa todas as dicas pra nós. Ele prepara muito bem a gente.

AUSÊNCIA DO VOLANTE

É um jogador sensacional, de qualidade ímpar. Controla o jogo, é que tem mais técnica com quem eu joguei na minha vida. Ele vai fazer uma falta imensa, mas acho que no meio campo a gente está muito bem servido.

INTERESSE DE OUTROS CLUBES

Meu empresário recebe muitas propostas, sondagens. Até mim não chegou nada, sei que estão falando do Palmeiras... Eu estou muito feliz no Grêmio, não vejo por que sair agora. Estou muito satisfeito, focado em fazer o meu melhor. Tem Copa do Mundo agora, nosso time está muito bem. Ganhamos título ano passado, ganhamos título este ano. Não tenho por que sair agora.

MELHOR TEMPORADA

Sinceramente, ano passado eu pensei que tinha sido o melhor ano da minha carreira. Tive a oportunidade de estar no Prêmio Brasileirão, de ganhar outros prêmios individuais, de ter sido campeão, ser convocado pela primeira vez. Mas este ano veio, fui convocado para a seleção de novo, fui campeão da Libertadores, estou no Prêmio Brasileirão mais uma vez. Tenho que trabalhar para ficar ainda melhor.

SELEÇÃO E COPA DA RÚSSIA

Tenho essa meta, com certeza. É este meu objetivo. A gente trabalhou o ano todo para isso, e eu sou muito grato ao Tite. Foi ele quem me convocou pela primeira vez, e sempre diz pra gente trabalhar e fazer o nosso melhor para termos uma chance na seleção. Foi assim que eu cheguei, fazendo meu melhor pelo Grêmio, e espero voltar. Vou trabalhar, mas sei que o Brasil está muito bem servido nessa posição.

ASCENSÃO NA CARREIRA

Nunca tive a oportunidade de jogar em time grande, meu primeiro time grande foi o Grêmio. Os times que joguei nunca conquistaram título, mas eu sempre fiz o meu melhor por eles. Tive uma carreira muito feliz, acho que tomei minhas melhores decisões, mas quando tive a oportunidade de vir para o Grêmio não pensei duas vezes, justamente pela oportunidade de conquistar títulos. Tive essa felicidade de conquistar prêmios individuais e coletivos ano passado e este ano.

APELIDO DE "GEROMITO"

O carinho da torcida é muito importante. Dá mais tranquilidade para a gente fazer nosso trabalho, e isso aí foi uma coisa que eu conquistei pelo meu futebol. Todo mundo gosta de ser reconhecido pelo trabalho, então fico muito feliz e estou muito grato a eles. Espero continuar correspondendo.

PAULISTA E GAÚCHO

Me considero um pouco gaúcho já. Tenho dois filhos gaúchos, um menino e uma menina. Não tomo chimarrão, mas tenho que aprender a fazer por ela (filha), que toma na escola com as ‘gurias’ que são amigas dela.

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