Cápsulas contaminadas podem salvar Dodô de suspensão

Farmácia onde o atacante comprava remédio é fechada e cápsulas examinadas na USP comprovam presença de substância proibida, o femproporex

Clarissa Thomé e Márcia Vieira

14 de julho de 2007 | 17h54

O Botafogo conseguiu uma arma poderosa na defesa do atacante Dodô, pego no exame antidoping realizado após a goleada por 4 a 0 sobre o Vasco, no dia 14 de junho, no Estádio do Maracanã. Segundo análise do laboratório da USP, realizada a pedido do clube carioca, as cápsulas de um remédio feito por farmácia de manipulação que Dodô usava estavam contaminadas com a substância proibida femproporex, um moderador de apetite. O medicamento, comprado há dois anos na mesma farmácia, é fornecido pelo clube ao jogador. "É até um alívio receber esses resultados. Nunca duvidamos da palavra do Dodô, assim como do nosso departamento médico. Nossa preocupação sempre foi a de investigar o que poderia ter acontecido e buscar a verdade. Sabemos agora que as cápsulas de cafeína foram contaminadas pela substância femproporex. Era fundamental saber o que estava acontecendo e fomos até o final", afirmou o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas. O suplemento à base de cafeína havia sido adquirido na farmácia de manipulação Pharmacy, em Ipanema, zona sul. O laboratório da USP analisou um frasco já aberto, com algumas cápsulas já consumidas, e outros dois frascos lacrados, de três lotes diferentes. O resultado para femproporex deu positivo em todas as embalagens. Os técnicos da USP orientaram o Botafogo a encaminhar para a Fundação Oswaldo Cruz todos os lotes que permanecem com o clube, a fim de obter análise completa em todo o material. O laboratório da USP também avaliou outros suplementos alimentares e barras energéticas – nada foi encontrado. Ao receber o laudo sobre a cafeína, na noite de sexta-feira, o vice-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, foi à 14.ª Delegacia de Polícia (Leblon) e registrou queixa contra a farmácia por crime contra o consumidor. Os policiais lacraram o estabelecimento. Na manhã deste sábado, o dono da Pharmacy, Milton Soares, foi surpreendido pelo lacre. Procurado pelo Estadão, Soares não retornou as ligações. Dodô foi avisado por Montenegro às 7 horas do resultado do exame. Ele se disse aliviado e agradeceu o apoio do clube. Na segunda-feira, o atacante fez o exame de contraprova, que confirmou a presença de femproporex na urina, e foi suspenso preventivamente por 30 dias do futebol. O julgamento do caso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva está previsto para 24 de julho.

Tudo o que sabemos sobre:
BotafogoDodôantidoping

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.