Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Carille entende tristeza da torcida, mas diz que vai embora em paz do Corinthians

"Trabalhei muitos anos no Corinthians e entendo a torcida, mas coloquei na minha cabeça que é um novo desafio"

Daniel Batista, Estadão Conteúdo

23 de maio de 2018 | 15h22

Fábio Carille concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira para explicar os motivos de deixar o Corinthians e acertar sua transferência para o Al-Wehda, da Arábia Saudita. O treinador disse entender o fato de boa parte da torcida criticar sua decisão, mas garante que está convicto do que está fazendo e não se arrepende.

+ Confira a tabela do Campeonato Brasileiro

"Sei que muitas pessoas estão chateadas e outras me entendem. Estou muito em paz com a minha decisão. Torcedor é paixão e eu entendo isso. Trabalhei muitos anos no Corinthians e entendo a torcida, mas coloquei na minha cabeça que é um novo desafio. O ministro do país e o príncipe estão acreditando em mim, me fizeram acreditar que chegou a hora de sair", disse o ex-treinador corintiano.

Ele explicou a cronologia da negociação. Na quarta-feira, disse que ficou sabendo que um canal de TV da Arábia Saudita fez uma enquete em que colocou seu nome e o de Jorge Jesus, do Sporting, como possíveis técnicos do Al-Hilal. "Desde o início, eu sabia que a preferência era o Jorge", disse o treinador.

"No meio do caminho, procuraram meus empresários no final de semana. Na segunda, iniciaram as conversas com outro clube, o Al-Wehda, e na terça a gente já acertou. Foi tudo muito rápido. Na terça de manhã, eu ainda tinha poucas coisas sobre isso, sobre a equipe. À noite, tivemos divergências, eles concordaram com tudo o que pedimos, sempre acreditando nas minhas ideias. Nós próximos três anos, o país quer ser uma força do futebol mundial", explicou.

O treinador pretende ir ao CT do Corinthians na sexta-feira para se despedir dos atletas e funcionários do clube. Ele preferiu não ir nesta quarta-feira para não atrapalhar a preparação do time para o confronto contra o Millonarios, quinta-feira, pela Libertadores.

"Lembro quando o Fábio Santos foi para o México, ele foi ao vestiário se despedir e vi muitas pessoas chorando. Pensei em tudo isso. Estamos classificados, mas a gente sabe que a vitória pode trazer benefícios. Por isso, fiquei com medo de deixar o vestiário para baixo", explicou.

Carille disse que a primeira proposta que recebeu, de forma oficial, foi a do Al-Wehda. E ele garante que a questão financeira não pesou, embora vá receber um salário pelo menos três vezes maior do que recebia no Corinthians.

"As outras três conversas que tive, com outros clubes, foram melhores do que essa. Não é só questão financeira. É uma questão de tudo, de condições de clube, poder levar sete estrangeiros e o clube ter contratado jogadores da seleção da Arábia", justificou.

Na noite da terça-feira, o Corinthians já anunciou que Osmar Loss será o novo treinador da equipe. Ele estreia nesta quinta-feira, na partida contra o Millonarios, pela Copa Libertadores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.