Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Carille indica Cássio como titular e projeta Corinthians forte para 2017

Técnico fala sobre a relação com Tite e o que esperar da equipe para a próxima temporada

Entrevista com

Fábio Carille, técnico do Corinthians

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2016 | 07h01

Fábio Carille vive um fim de ano diferente. Em 2017, ele deixa de ser sombra de um técnico e se torna o responsável por fazer o Corinthians retomar o caminho das glórias. Em entrevista exclusiva ao Estado, o novato treinador fala sobre a montagem do elenco, relação com Tite, projeta Cássio como titular e diz saber que a paciência do torcedor não será duradoura.

O que podemos esperar do Corinthians para 2017?

Será um ano de remontagem. Estou ansioso para saber qual vai ser o nosso elenco para ver as nossas características e traçar o perfil do estilo de jogo. O quanto antes acontecer isso, melhor. Posso garantir que teremos uma equipe muito organizada, de entrega e vontade. A forma de jogar vai depender dos jogadores que eu tiver na mão.

Por falar em time na mão, quem será o seu goleiro para o ano que vem: Cássio ou Walter?

Sempre fui claro nas minhas convicções. Quando fui efetivado, o Cássio foi bem no primeiro jogo e no segundo se machucou. Ao meu ver, jogador não pode perder a posição assim. Não foi uma questão técnica, mas sim, física. Ele foi muito bem comigo e caso eu tivesse continuado, assim que ele se recuperasse, voltaria ao time. 

Então o Cássio vai ser o seu titular?

Dia 3 chego em São Paulo e começo o planejamento, mas o mais importante é que o Corinthians tem dois excelentes goleiros e, se possível, espero ficar com os dois no grupo.

Como tem sido a conversa com a diretoria por reforços? Você participa?

O processo de reformulação já existe ainda no tempo do Cristóvão. Alguns nomes aparecem, são oferecidos e a gente troca ideia para ver se é possível e se encaixa no que precisamos. 

Gosta das comparações e de ser chamado de pupilo ou sucessor do Tite?

Não escondo de ninguém, que meu modo de ser e agir é muito parecido com o do Tite. Sou um cara tranquilo, que tem respeito e carinho com todos no grupo. Foram cinco anos e meio juntos, onde ganhamos seis títulos. Também tenho alguma coisa do Mano (Menezes), mas tenho mesmo muita coisa de Tite. 

Vai pedir dicas para o treinador da seleção?

Existe um respeito muito grande um com o outro e ele me ensinou bastante coisa, fez me tornar um profissional melhor e me deu muita liberdade. Ele me ajudou na formação e o contato com ele sempre vai existir. 

Você foi descartado pela diretoria anteriormente e chega com a desconfiança de quem nunca teve um longo trabalho em um clube grande. Isso pode virar uma pressão extra?

Tive 28 dias e seis jogos como técnico efetivado, sem contar os outros jogos como interino. Minha validação foi em cima desse período. Fiquei muito confiante com os resultados e percebi: 'opa, estou no caminho certo. Sabia que esse momento ia chegar e depois de não ter dado certa a negociação com o Rueda (Ricardo Rueda, técnico do Atlético Nacional), me chamaram e não pensei duas vezes. Não está sendo uma experiência. Nós tivemos uma avaliação antes e tanto o Corinthians como eu sabemos que posso fazer um grande trabalho.

Até quando acha que vai durar a paciência da torcida com o seu trabalho?

Sei que vou ser cobrado por resultados e não por desempenho. Assim é o futebol e comigo não será diferente, mas estou tranquilo. Estou no Corinthians há oito anos e sei o que posso fazer. Acredito que o início de trabalho será de apoio, pois percebi que tive uma aceitação legal. Foi até acima do esperado, para mim.

Antes você era auxiliar. Agora, você é quem manda. Como vai ser a relação com os jogadores?

Não vai e não tem motivo para mudar a postura. Eu tenho que ser eu. Como auxiliar você precisa se impor e ser respeitado também e isso eu consegui. Vou continuar olhando na cara de todo mundo, como sempre fiz e fazer o meu trabalho. 

Falou com os jogadores após ter sido efetivado?

Recebi muitas mensagens, principalmente de quem passou pelo clube. Ralf, Renato Augusto, Leandro Castán e tantos outros. Foi legal e acaba sendo um reconhecimento. 

Como você vai trabalhar com a base? 

De uma forma muito próxima. Viajo dia 3 para São Paulo e vou acompanhar os jogos do Corinthians na Copinha até nossa viagem para a Florida Cup. Esse ano tínhamos 14 meninos da base no elenco principal e devemos continuar a dar muito espaço para eles. 

Quantos jogadores pretende ter no elenco?

Acho que 28, sendo quatro goleiros e 24 de linha é um bom número. Pode ser que, por excesso de viagens, a gente acabe chegando a 30, mas 28 é o ideal. 

Até dia 11, data da reapresentação, o elenco do Corinthians estará fechado?

Espero que sim. Tem que chegar o quanto antes para trabalharmos a questão técnica e traçar o perfil da equipe. 

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