Eduardo Nicolau/AE - 12/10/2009
Eduardo Nicolau/AE - 12/10/2009

Carlos Verri, um homem bem diferente do técnico Dunga

Gaúcho de 46 anos é generoso, simpático, dócil e querido por vizinhos e amigos. O oposto do treinador da seleção

Sílvio Barsetti - Enviado especial de O Estado de S. Paulo,

21 de março de 2010 | 11h01

Carlos Caetano Bledorn Verri e o técnico Dunga, da seleção brasileira, são donos do mesmo CPF, mas parecem ter duas identidades. O primeiro mora num bairro elegante e pacato de Porto Alegre, costuma ir de bicicleta à padaria, caminha cedo às margens do Rio Guaíba e vai de bermuda à agência do banco mais próximo. É conhecido pelos vizinhos como uma pessoa dócil e generosa. Já o treinador está sempre em aeroportos, com a agenda cheia, e tenta conviver, sem diplomacia, com cobranças e especulações nesta fase que antecede a Copa da África.

 

Dunga é um personagem popular e está no imaginário da maioria dos brasileiros. Durante três dias, o Estado esteve em Porto Alegre para saber um pouco mais de Carlos Verri, um homem simples que nasceu em Ijuí, interior do Rio Grande do Sul, em 1963, e foi morar na capital gaúcha na década de 90. Com bom gosto, escolheu três terrenos no condomínio Jardim Verde e ergueu ali uma casa vistosa, em que se destacam um jardim colorido e um papagaio que pede "socorro" toda vez que chove.

 

Simplicidade é a marca desse cidadão de cabelo escasso, rosto de linhas retas e jeito especial de atender quem o chama pelo interfone de casa. Nessas horas, ignora protocolos e vai ao portão de chinelos para tirar fotos com pessoas comuns que passam por ali. "Já vi isso várias vezes, ele é atencioso", conta o estudante Leonardo Moraes, de 19 anos, vizinho de Carlos Verri e que trabalha num café com a mãe, Ivete, no Shopping Jardim Verde.

 

Esse centro comercial, a menos de 200 metros da casa da família Verri, mantém um discreto canteiro bem em frente, com uma pontezinha de madeira e arbustos. No dia da inauguração, faltava a presença de alguém famoso para cortar a fita. Logo houve consenso entre os comerciantes de que o vizinho da casa azul deveria ser convidado.

Ivete Moraes foi chamá-lo. "Tem de ser agora?" "Sim." Na mesma hora, Carlos Verri pegou uma tesoura, caminhou até o canteiro e, com leve movimento, reforçou a imagem acolhedora da qual desfruta no bairro. "Ele tem coração mole", afirma Ivete.

 

É livre a circulação de carros e pedestres em Jardim Verde. Mas está enganado quem imagina uma peregrinação de curiosos à porta da casa gradeada que abriga uma das figuras mais contestadas do futebol brasileiro. Para os vizinhos, outra qualidade de Carlos Verri é a discrição. "É humilde", diz a administradora de empresa Giacomina Biolo. Na quinta-feira, ela podava uma árvore na calçada enquanto enaltecia o vizinho. Mas bastou se anunciar gremista para associar Carlos Verri ao técnico Dunga e relatar uma inconfidência. "Outro dia lhe perguntei: ‘Como é que é, não vai levar o Ronaldinho?’ A resposta não me convenceu."

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