Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

CBF manterá punição para jogador que comemorar gol com a torcida

Cartão para Janderson por comemoração foi certo e seria dado na Série A, diz entidade que comanda o futebol brasileiro

Marcio Dolzan, Estadão Conteúdo

03 de fevereiro de 2020 | 18h59

Muito criticada por torcedores, a expulsão de Janderson após comemorar o segundo gol do Corinthians no clássico com o Santos, domingo, pelo Campeonato Paulista, segue o que determina a regra do jogo e foi correta. Esse é o entendimento na CBF, que alerta que o critério já vinha sendo utilizado no Campeonato Brasileiro e permanecerá inalterado para esta temporada, goste a torcida, jogadores e treinadores ou não.

Janderson já havia sido advertido com o cartão amarelo, e recebeu o segundo - e consequentemente o vermelho - ao subir em uma escadinha de acesso às arquibancadas na Arena Corinthians para abraçar um grupo de torcedores. "No Brasileiro você vai ver todos os jogadores que subirem no alambrado serem punidos. Essa é a nossa orientação", disse, nesta segunda-feira, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba. "Está escrito na regra do jogo, na lei do jogo."

O ex-árbitro reconhece que, na Copa do Mundo, há certa benevolência em relação a esse tipo de comemoração, mas ressalta as condições que são encontradas nos Mundiais. "O problema é a questão de estrutura dos estádios. Nem todos os estádios têm a mesma estrutura. Uma coisa é trabalhar numa Copa do Mundo, onde são 36 (na verdade, 32) países, número bem menor (de jogos), com estádios de alta estrutura. Outro negócio é trabalhar no Campeonato Brasileiro, em que eu tenho que manter o mesmo critério para quem joga no Maracanã ou em qualquer outro estádio do Brasil", pontuou. E raciocínio semelhante deve ser levado à Arena Corinthians e a todos os demais estádios do interior do Estado que sediam jogos do Paulista.

O argumento do ex-árbitro, e de quem criou a regra, passa pela questão da segurança. "Já tivemos jogador perdendo dedo por ter subido alambrado, já tivemos torcedores esmagados quando veio a comemoração. Qual torcedor que não quer dar um abraço no seu ídolo quando vai comemorar na beira do campo? Esse que é o grande problema. Aquela pessoa que está bem ali na frente sofre um esmagamento automático", considerou Gaciba. "Será que nós vamos esperar acontecer um acidente no futebol brasileiro pra daí dizer que é justo dar um cartão amarelo?"

Ter um mesmo critério para todos os clubes que disputam uma mesma competição é outro motivo que serve como argumento para justificar a advertência com cartão. "Por que subir a escadinha do Maracanã vai ser diferente de subir o alambrado de outro clube da Série A? Essa é padronização que nós temos", pontuou Gaciba.

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF foi além. Ele argumentou que todos os jogadores de futebol conhecem - ou, pelo menos, deveriam conhecer - a regra que impede comemorações junto à torcida.

"Os jogadores estão avisados. Por que vamos usar um critério diferente quando o jogador levanta a camisa? Quando levanta a camisa todo mundo sabe que ele vai levar cartão. Não há interpretação", exemplificou.

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