Cartão para juiz pode complicar santistas

Juristas, advogados e especialistas em Direito Esportivo reprovaram a atitude de Fabiano e Paulo Almeida na derrota do Santos para o Boca Juniors. O primeiro tirou o cartão amarelo das mãos do árbitro uruguaio Jorge Larrionda após a marcação do pênalti de Fábio Costa em Jerez. O cartão caiu no gramado e então foi a vez de Paulo Almeida entrar em cena. Ele foi mais rápido que Larrionda, abaixou-se e o mostrou para o árbitro. "Foi uma molecagem dos dois, típica de jogador brasileiro", disse Valed Perry, a maior referência em Justiça Esportiva do País.Perry sustenta que o caso cabe agora à Comissão Disciplinar da Confederação Sul-Americana de Futebol. Mas não acredita em punição severa aos atletas do Santos. "Não se trata de agressão, no meu modo de ver. Foi mais uma atitude inconveniente e eles devem ser punidos com multa", prosseguiu o jurista.O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, lamentou a reação de Fabiano e Paulo Almeida, salientando que houve no mínimo falta de respeito à arbitragem. Mas descartou a possibilidade de eles virem a ser julgados pelo tribunal. "O assunto é de competência restrita da Sul-Americana", disse, reforçando a opinião de Perry.Para a advogada Vera Otero, que defende vários clubes no STJD, o incidente refletiu o desespero dos jogadores do Santos com a iminente perda do título da Copa Libertadores da América. "Nada justifica o contato físico voluntário com o árbitro, como fez o Fabiano. Não houve, no entanto, nenhum absurdo." Otero é favorável até a uma ação isolada do Santos com os próprios atletas. "Seria interessante que eles fossem advertidos pelo próprio clube para evitar a repetição do que ocorreu", disse.

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 19h23

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.