Ennio Leanza/EFE
Ennio Leanza/EFE

'Preso, por quê?', questiona Joseph Blatter em coletiva

Cartola preso insinua que suíço sabia do esquema de corrupção 

JAMIL CHADE, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2015 | 08h45

“Preso por quê? " Foi assim que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, respondeu a uma bateria de perguntas da imprensa em uma primeira entrevista coletiva desde que o escândalo de corrupção na entidade eclodiu.

Na manhã deste sábado, 30, Blatter falou sobre as detenções de sete dirigentes e garantiu que não pedirá demissão. Mas se recusou a assumir qualquer culpa ou envolvimento nos pagamentos. Num dos trechos da investigação do Departamento de Justiça dos EUA, um pagamento de US$ 10 milhões é feito a um de seus vice-presidentes, Jack Warner, num dinheiro que teria passado pela Fifa.

O valor seria a propina da África do Sul para ganhar votos para a Copa de 2010. Warner protestou diante do fato de o dinheiro não ter sido depositado e pediu para a Fifa. O valor acabaria vindo do Comitê Organizador da Copa do Mundo, controlado em parte pela Fifa. 

O FBI faz mistério se Blatter está entre os investigados e, hoje, seu nervosismo era nítido diante das perguntas sobre um eventual envolvimento. Warner, há poucos dias, chegou a insinuar que o suíço teria sido informado do pagamento. "Se eu recebi isso, quem pagou ?", questionou. 

Blatter hoje respondeu. "Não comento alegações. Vamos deixar as investigações seguirem. Mas definitivamente não sou eu o mencionado", disse. "Eu não tenho esses US$ 10 milhões". 

Questionado se era "negligente ou incompetente", Blatter também foi duro. "Nem um e nem o outro". "Se alguém investiga, eles têm todo o direito. Se isso for feito de forma correta, não tenho preocupações", insistiu.

O suíço denunciou a manipulação da investigação nos Estados Unidos, alertando que a ação policial contra a Fifa seria uma maneira de revanche contra o fato de terem perdido a Copa de 2022 para o Catar. 

Para ele, se os delitos foram cometidos por cartolas sul-americanos e norte-americanos, "não vejo como a Fifa possa estar envolvida". "Curiosamente, três jornalistas estavam na hora da operação", atacou, insinuando uma operação manipulada. 


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.