Cartola, esse cara de pau

O dirigente de futebol toma decisões para corrigir seus próprios erros

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 04h00

Digo logo que não se trata de uma generalização. Portanto, quem se sentir ofendido, que não se sinta. Mas o dirigente continua a ser o maior cara de pau de todos no futebol. O jogador malandro, aquele que não gosta de treinar ou só quer viver o lado bom da profissão, está desaparecendo, se já não desapareceu. O árbitro, capaz de favorecer um ou outro propositalmente, já não tem mais espaço, pressionado que está pelas imagens de tevê. Está no foco. Joga na retranca. O torcedor, que não sabe mais perder, discute até no cara ou coroa. Perdeu, portanto, o respeito de todos. 

Mas o cartola continua firme no comando do futebol. Manda e desmanda sem ser cobrado ou perder a pose. 

Na maioria das vezes, toma decisões erradas, equivocadas, e depois se vale de uma dúzia de argumentos para provar que a correção de rota do time é a solução de sua (má) gestão. E recomeça o ciclo do zero. Corrige seu erro sem afirmar que errou. O maior exemplo disso é na escolha de treinadores.

Veja o caso do Atlético-MG, time respeitadíssimo. Apostou em Roger Machado e não teve peito para segurá-lo depois de eliminações em torneios importantes. Com pompa, anunciou para o seu lugar o boa-praça Rogério Micale, campeão olímpico nos Jogos do Rio, mas ainda sem estofo para ser ouvido em um vestiário cheio de cobras criadas. Duvido que tivesse um só torcedor atleticano que validasse a escolha. O cortejo estava anunciado, só à espera da hora da morte. Dito e feito.

Um novo bode expiatório, Oswaldo de Oliveira, foi chamado para ocupar o espaço e, quem sabe, salvar a temporada e limpar a barra do cartola mineiro. Diga-se, o mesmo do começo do ano.

A história vem de Minas, mas poderia ter como cenário os clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Goiás, Bahia...

Treinadores são demitidos aos montes no futebol nacional, elencos são formados por atletas ganhando mundos e fundos sem necessidade, sem prévia avaliação, em muitos casos somente para dar uma resposta à torcida. Alguns são comprados na maior das boas vontades, é verdade, mas quando troca de camisa o cara não vinga. O Palmeiras vive isso nesta mesma temporada. Comprou sem precisão e só gastou dinheiro, do próprio clube e do parceiro.

Se bater pênalti já foi responsabilidade destinada ao presidente, tamanha sua importância, todas essas movimentações, antes de os trabalhos começarem no ano, também deveriam ser mais bem definidas pelo cartola. Tudo passa pela mesa do dirigente. Por isso ele tem de ser mais assertivo, de modo a não morrer com micos na mão, não rasgar dinheiro do clube e, principalmente, não contratar técnico para, depois de meses ou jogos, demiti-lo. 

2017 tem sido um ano de aprendizado para a cartolada. A Conmebol esticou seus campeonatos, de modo a obrigar que os times da América, incluindo os do Brasil, tivessem elencos mais volumosos para que pudessem disputar com competência todas os torneios do calendário. A maioria não conseguiu se preparar. É inegável que neste ano o Brasileirão foi relegado, andou no fim da fila como opção de alguns grandes do Brasil. Cabe ao dirigente entender o cenário antes de qualquer um do time.

 

TORCIDA ÚNICA

Existe uma movimentação no Ministério Público de São Paulo para derrubar lei que impede clássicos com duas torcidas. Hoje, os grandes jogos têm bandeira única. A trama envolve a possibilidade de o governador Geraldo Alckmin se lançar à presidência, de modo a partir para cima do vice, Márcio França, e convencê-lo da mudança.

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