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Cartolas da Bolívia desviam dinheiro de amistoso do Brasil

Renda deveria ir para a família de Kevin Espada, morto em Oruro

Raphael Ramos e Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 08h47

Dirigentes da Federação Boliviana de Futebol usaram o amistoso entre a seleção brasileira e a Bolívia, em abril de 2013, para desviar dinheiro. A partida foi realizada em Santa Cruz de la Sierra e a renda deveria ser revertida para a família do garoto Kevin Espada, morto em jogo da Libertadores entre Corinthians e San Jose. A suspeita do Ministério Público da Bolívia, porém, é que o dinheiro acabou indo para o presidente da Federação Boliviana de Futebol, Carlos Chávez, o secretário-executivo Alberto Lozada e outros funcionários da entidade.

"A realidade é que o Brasil jogou de forma gratuíta para ajudar a família de Kevin e Carlos. Chávez e outros dirigentes abusaram dessa boa vontade e das pessoas que pagaram suas entradas", disse o procurador-geral da Bolívia, Ramiro Guerrero, em seus documentos diante da corte. Chavez e Lozada foram presos na semana passada.

Chávez é também o tesoureiro da Conmebol e, nos últimos dias, o presidente da entidade sul-americana, Juan Napout, fugiu dos jornalistas em Zurique durante a reunião da Fifa, entrando até mesmo pelas portas do fundo do hotel onde se hospedava. José Maria Marin, presidente da CBF à época e responsável por costurar a realização do amistoso, também está preso em Zurique, acusado pela Justiça americana de corrupção em outro caso envolvendo a Traffic.

Para a partida entre as duas seleções, a arrecadação só com bilheteria foi de US$ 550 mil, mas os parentes de Kevin ficaram com apenas US$ 21,5 mil, o equivalente a 5% da renda do jogo. O Ministério Público da Bolívia também acusa Chávez de ter usado o amistoso com a seleção brasileira para desviar recursos dos direitos de transmissão do jogo.

Segundo o dirigente, a negociação teria sido feito com uma empresa argentina, mas os promotores alegam que a transação foi realizada, na verdade em Santa Cruz de la Sierra. Há suspeita que os pagamentos foram feitos em contas fantasmas. Em 2013, o pai de Kevin, Limbert Beltran, havia alertado em uma entrevista à imprensa que não recebeu o dinheiro do amistoso.

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