Ricardo Mazalan/AP
Ricardo Mazalan/AP

Cartolas continuam longe de suas seleções na Copa América

Cartolas importantes não apareceram para acompanhar o torneio

Almir Leite e Gonçalo Júnior, ENVIADOS ESPECIAIS A SANTIAGO, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2015 | 07h00

O escândalo de corrupção da Fifa que atingiu em cheio alguns cartolas sul-americanos afastou os dirigentes do primeiro escalão da Conmebol da Copa América do Chile. O temor de deixar suas bases, onde se sentem mais seguros, os questionamentos a que seriam submetidos, e os próprios problemas gerados pela crise - como a dificuldade para pagar as premiações do torneio - são apontados como motivos para a ausência. O presidente da entidade, Juan Angel Napout, e o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, estão entre os "sumidos".

A Copa América iniciou ontem a fase de quartas de final e Napout ainda não apareceu no Chile. Uma de suas últimas aparições públicas, aliás, deu-se no Brasil. Foi na festa de premiação do Campeonato Paulista, no dia 4 de maio. Cerca de 20 dias depois estourou o escândalo, com a prisão num primeiro momento de sete dirigentes.

Desde então Napout está recluso no Paraguai, onde nasceu e onde fica a sede da entidade sul-americana. No quartel-general da Conmebol, no Chile, as informações são de que ele virá para acompanhar a final. 

"Existe uma possibilidade de que venha para a semifinal também, mas isso não está confirmado. Ele tem tido muito trabalho no Paraguai com o funcionamento da Conmebol e não pôde vir", afirma Wilmar Valdez, presidente da Federação Uruguaia de Futebol e vice-presidente da Conmebol.

Valdez, aliás, é um dos que tem falado pela entidade. O outro é o presidente da Federação Boliviana e tesoureiro da Conmebol, Carlos Chavez. Falam, basicamente, da crise financeira causada pelo bloqueio das contas da empresa que detém os direitos do torneio, a Datisa, o que colocou em risco o pagamento dos prêmios da Copa América. Garantem que o pagamento será feito com o fundo de emergência da entidade.

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também é outro dirigente que não veio ao Chile. Nem pretende vir. 

Vale lembrar que, além de dirigente ligado à seleção brasileira, ele é representante da Conmebol na Fifa. Há outros presidentes ausentes, mas o argentino Luis Segura e o paraguaio Alejandro Dominguez têm acompanhado suas seleções.

ATÉ O TRIBUNAL

O quórum anda fraco até entre os encarregados de julgar infrações disciplinares da Copa América. Ontem, o Estado esteve no hotel onde se reúnem os membros do tribunal da Conmebol e constatou que dos cinco membros da Câmara de Apelações, apenas o equatoriano Guilhermo Saltos está registrado lá.

BLOQUEIO

As autoridades uruguaias bloquearam nove propriedades de Eugenio Figueredo, ex-vice-presidente da Fifa que se encontra preso na Suíça. Os imóveis têm valor estimado em mais de US$ 5 milhões (R$ 15,5 milhões) e o embargo foi emitido pela juíza Adriana de los Santos, segundo confirmou ontem o procurador contra o crime organizado Juan Gómez. "É uma medida de precaução", disse.

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