Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Cartolas da Fifa fecham 'acordo de paz' durante Copa na Rússia

Repleta de disputas e troca de farpas, reuniões da entidade se transformaram em luta pelo poder nos últimos tempos

Jamil Chade, correspondente em Moscou

10 Junho 2018 | 07h33

Vivendo uma das piores crises nos últimos anos e com reuniões marcadas por tensão, os cartolas da Fifa fecham um “acordo de paz” para evitar controvérsias durante a Copa do Mundo. Neste domingo, a Conmebol retirou da agenda da Fifa a proposta que havia feito para que o Congresso da entidade de sinal verde para que se faça uma avaliação sobre a possibilidade de ampliar a Copa de 2022 para 48 seleções. 

Assuntos como a venda de torneios da Fifa para fundos de investidores, a mudança no Mundial de Clubes e outros temas polêmicos também foram retirados das agendas dos encontros. 

O Estado apurou que, no sábado pela noite em Moscou, os seis presidentes das federações continentais se reuniram para estabelecer a agenda política dos próximos dias. Mas chegaram à constatação de que, diante das diferenças, deveriam decretar um “armistício” e uma trégua, deixando as polemicas para depois do Mundial.

A primeira delas foi a decisão de não tomar uma posição final sobre a expansão do Mundial de Clubes. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, quer um torneio com 24 equipes e tem negociado com grandes clubes europeus. Mas a Uefa já deixou claro que não aceita o novo torneio. 

O clima entre Aleksander Čeferin, presidente da Uefa, e Infantino também tem causado mal-estar. Durante os encontros do Conselho da Fifa, membros do órgão revelam que de ambos os lados o sentimento é de tensão e até troca de farpas. Como um dos vice-presidentes da Fifa, Ceferin, se senta ao lado de Infantino. Mas nem isso impede a controvérsia. 

Outro assunto que ficará para depois da Copa é a ideia de Infantino de vender parcelas de torneios para grupos de investidores e bancos. No início do ano, ele apresentou um projeto de criação de uma Liga Mundial de seleções com a participação de fundos dispostos a dar US$ 25 bilhões à iniciativa. A ideia também criou um mal-estar diante da falta de detalhes e de transparência sobre quem seriam os reais donos do dinheiro. 

Para completar, a expansão da Copa do Mundo do Catar para 48 seleções não será tratada e a opção foi adotada para decidir não decidir. Os delegados deveriam dar a Infantino o mandato para estudar o assunto e realizar um trabalho de avaliação técnica sobre a viabilidade de passar de 36 para 48 seleções já em quatro anos. Mas diante da resistência da Europa, a iniciativa foi suspensa. Agora, tudo fica para o segundo semestre do ano, em uma iniciativa para evitar polêmicas e debates.

O único ponto complicado da agenda que não conseguirá ser superado é o da escolha da sede de 2026. Na quarta-feira, os 210 membros da Fifa definirão se o Mundial irá para a América do Norte ou para o Marrocos, numa disputa política profunda. 

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