Fabrice Coffrini/ AFP
Fabrice Coffrini/ AFP

'Mister 10%' admite suborno para escolha das Copas de 98 e 2010

Blazer confirma propina para votar a favor de França e África do Sul

Jamil Chade, Correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 17h01

Chuck Blazer, o homem que delatou a Fifa para a Justiça americana, confessou diante de uma corte nos EUA que cartolas da entidade receberam propinas para escolher a França como sede da Copa de 1998. Segundo ele, os pagamentos ocorreram em 1992, quando a Fifa ainda era presidida por João Havelange. Já o Mundial em Paris foi organizado por Michel Platini, cotado para ser um dos candidatos ao cargo de Joseph Blatter. "Entre outras coisas, eu concordei com outras pessoas em 1992 para facilitar a aceitação de propina em relação à seleção da sede da Copa de 1998", disse.

O documento também aponta que o mesmo mecanismo foi usado para dar à Africa do Sul a sede para a Copa de 2010. Em um documento publicado há instantes pelo Departamento de Justiça dos EUA e que traz a confissão de Blazer, o cartola deixa claro que não foi o único a receber dinheiro ilícito. “Começando por volta de 2004 e continuando até 2011, eu (Chuck) e outros do Comitê Executivo da Fifa concordamos em aceitar propinas em relação à escolha da África do Sul como país-sede da Copa de 2010", declarou o americano, também diante da corte dos EUA, no dia 25 de novembro de 2013.

Naquela época, Ricardo Teixeira era um dos membros do Comitê Executivo da Fifa e votou pela África do Sul. Outro candidato a receber o Mundial era Marrocos. A escolha dos sul-africanos foi marcada pela presença de Nelson Mandela na Fifa, num dos momentos em que a entidade mais se orgulha de mostrar imagens. Chuck não cita nomes em sua confissão desta quarta. Mas deixa claro que a Copa no país de 'Madiba' foi comprada. 

Há uma semana, documentos do FBI indicaram também que os sul-africanos haviam pago US$ 10 milhões (R$ 31 milhões) ao então vice-presidente da Fifa, Jack Warner, em troca de votos. Nesta quarta, os sul-africanos negaram que se trate de suborno, mas um programa social para o país. O dinheiro ainda teria passado por Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, que nega qualquer envolvimento e se recusa a pedir demissão. Chuck também confessou que recebeu propinas para os direitos de TV das edições de 1996, 1998, 2000, 2002 e 2003 da Golden Cup. 


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