Hélvio Romero/Estadão
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Dirigentes deveriam jogar Fifa ou Football Manager para achar novos técnicos

Cartolas têm enorme dificuldade em encontrar técnicos quando desafiados a buscar opções

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2020 | 05h00

O deserto de propostas, de ideias, de treinadores confiáveis e competitivos, se estende ao desconhecimento de muitos dirigentes quando o assunto é o futebol que se joga fora do Brasil. Se muitos não conseguem enxergar bem o que se passa em outros Estados brasileiros, imagine além fronteiras.

Algo que beira o patético em tempos de globalização, com a internet conectando a tudo e a todos e o amplo acesso, pela TV ou via web, aos jogos que acontecem pelo mundo. Mas há cartolas que conhecem jogadores e treinadores do exterior menos do que qualquer menino de 12 anos que jogue Fifa no PlayStation.

Em meio aos nomes especulados para comandar o Palmeiras depois que Miguel Ángel Ramírez rejeitou a proposta paulista, houve situações até constrangedoras. O clube resolveu buscar o argentino Heinze, ex-Vélez Sarsfield, após clamor de torcedores via redes sociais com a alavanca das hashtags.

E não foi algo inédito. Em 2017, depois que Zé Ricardo deixou o Flamengo, rubro-negros subiram a #RuedaNoFla e os dirigentes acabaram indo atrás do colombiano. E durante alguns meses trabalhou no Ninho do Urubu o campeão da Libertadores no ano anterior, com o Atlético Nacional de Medellin.

Antes de Ramírez e Heinze na pauta palmeirense com a demissão de Vanderlei Luxemburgo, o Corinthians, mais modesto, saiu em busca de um substituto para Tiago Nunes, que vinha sendo substituído, sem sucesso, pelo interino Coelho. Em momento financeiro ruim, tirou o técnico do Atlético Goianiense.

Em Belo Horizonte, vivendo a maior crise de sua história e, indubitavelmente, uma das mais graves já enfrentada por um clube brasileiro, o Cruzeiro disputa a segunda divisão com seu terceiro treinador. E o nome dele é Luiz Felipe Scolari, tirado de um descanso com jeito de aposentadoria para “ajudar” nesse momento complicado.

Fica ainda mais claro que os dirigentes têm enorme dificuldades quando desafiados a olhar o mercado externo pelas opções, ou falta de. Quando mandou embora Jesualdo Ferreira, que era o segundo técnico estrangeiro seguido no Santos, foram buscar Cuca, que voltou 614 dias depois de se despedir.

Já o São Paulo convive há mais de um ano com muitos questionamentos sobre o trabalho de Fernando Diniz. Especialmente quando as atuações decepcionam e os resultados irritam a torcida. Assim, mantém o treinador, talvez esperando a sonhada volta de Rogério Ceni em 2021, quando os são-paulinos terão novo presidente.

O treinador do Fortaleza, por sinal, se transformou em personagem raro entre os brasileiros que exercem tal função. Um tanto quanto solitário até, depois que perderam prestígio Tiago Nunes e Roger Machado, devido às passagens que não corresponderam, respectivamente por Corinthians e Bahia.

Enquanto isso, três estrangeiros seguem liderando o campeonato brasileiro há algumas rodadas, Eduardo Coudet (Internacional) e Jorge Sampaoli (Atlético Mineiro), ambos argentinos; e Domènec Torrent (Flamengo), espanhol. Seria interessante se cartolas dos clubes do país passagem a jogar Fifa, Football Manager...

ELIMINATÓRIAS

A seleção brasileira voltará a jogar em algumas semanas. Primeiro receberá a da Venezuela, dia 13 de novembro, no Morumbi, depois irá o estádio Centenário, em Montevidéu, encarar o Uruguai, no dia 17. Pelejas válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022.

Mais uma vez as vagas sul-americanas no Mundial serão definidas após os times jogarem 18 vezes. Em meio à pandemia, dividir as dez seleções em dois grupos de cinco seria inteligente e racional, com oito jogos para cada. O Brasil já estaria chegando à metade das eliminatórias!

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