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Cartolas e Palmeiras, mal treinado por Luxemburgo, maltrataram o futebol

Após dirigentes buscarem os próprios interesses e desconsiderarem a vida humana, ficou evidente o quanto equipe alviverde é mal treinada

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2020 | 05h00

O futebol viveu momentos deploráveis antes de Palmeiras x Flamengo. Na prática todos queriam levar a melhor e a discussão tinha, claramente, como prioridade a obtenção de benefício, de alguma vantagem esportiva. Os dirigentes palmeirenses, que em abril resistiam à volta do futebol argumentando que em primeiro lugar deveria estar a saúde das pessoas, queriam porque queriam bola rolando. Mesmo com vários atletas do clube carioca infectados e o risco de alguns irem a campo nessa situação, mas ainda sem a detecção da presença do novo coronavírus no organismo, já que os intervalos entre testes e partidas dão margem a tal risco.

Um exemplo recente: Fred não foi ao Morumbi encarar o São Paulo em 6 de setembro, um domingo. Motivo: a mulher do atacante estava com a Covid-19. Na terça-feira saiu o resultado de uma testagem feita no artilheiro do Fluminense: negativo. Assim, ele foi a campo e disputou todo o segundo tempo do clássico Fla-Flu na quarta. O goleador fez novo teste na quinta e sexta-feira saiu novo diagnóstico: positivo. Tudo indica que na noite de 9 de setembro, o experiente jogador participou de uma partida já atingido pelo vírus. Teria ele oferecido algum risco aos colegas de profissão e demais envolvidos naquela peleja? Quem poderia assegurar algo a respeito?

Mas isso não parecia preocupar o Palmeiras, nem mesmo seus jogadores, que reagiram a uma iniciativa do sindicato dos atletas de São Paulo, disposto a impedir a disputa do jogo. Eles emitiram um comunicado afirmando que a instituição não os representa e estavam dispostos a ir ao gramado por confiarem nos protocolos da CBF etc. Mesmo com as falhas evidentes, como no caso de Fred. Do lado rubro-negro, dirigentes que fizeram colossal esforço para que o futebol retornasse quando tal possibilidade ainda estava distante, repentinamente defendiam a não realização da peleja para que a saúde dos envolvidos fossem priorizada.

Inversão de papéis claramente motivada por interesses próprios. Inacreditavelmente, o vírus foi transformado em mero instrumento de barganha. O negócio era: de um lado insistir no jogo para encarar um adversários enfraquecido, do outro clamar pelo adiamento, tentando evitar o confronto indo a campo com uma equipe esfacelada. Tal cenário proporcionou o surgimento de uma liminar, obtida pelo Sindiclubes do Rio de Janeiro, cujo presidente trabalha no... Flamengo. Ao final a CBF conseguiu derrubá-la em Brasília, a bola rolou e o que se percebeu foi que os cartolas flamenguistas estavam mais errados do que pareciam.

Em campo, com três titulares (Thiago Maia, Gérson e Arrascaeta), três reservas (João Lucas, Lincoln e Pedro) e oito garotos da base (três saíram do banco) que não participam das partidas do time profissional (Hugo Souza, Yuri de Oliveira, Otávio, Natan, Ramon, Guilherme Bala, Richard Rios e Lázaro), o Flamengo encarou o Palmeiras com seu time completo. Ficou evidente o quão mal treinado é o campeão paulista. A falta de imaginação, a dependência de lances individuais e cruzamentos já estava escancarada há tempos. Mas neste domingo, contra um adversário mutilado, ficou muito, mas muito mais claro.

O empate em 1 a  1 foi justo, pois se o jovem Hugo fez duas grandes defesas pelo lado rubro-negro, Weverton também trabalhou, e bem, foi exigido. O gol alviverde ainda contou com boa dose de sorte, no chute de Patrick de Paula que resvalou em Thiago Maia e traiu o goleiro flamenguista. Pouca bola e muitos empates. Foi o sétimo do time de Vanderlei Luxemburgo em 11 jogos pela Séria A. Invicto cinco pontos atrás do líder, Atlético Mineiro.

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