Cartolas entre oba-oba e a realidade

Durou apenas alguns minutos o sonho - ou devaneio - do presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, de se referir ao período pelo qual passa o futebol no Brasil como um "momento mágico". O cartola utilizou-se da expressão durante a festa de apresentação oficial do Campeonato Brasileiro, realizada nesta quarta-feira em um hotel em São Paulo, motivado pela conquista do pentacampeonato na Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão. Mas, ele viu todo o clima de otimismo e satisfação que tentava impor aos convidados diluir assim que o vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Nabi Abi Chedid, o sucedeu ao microfone. Representando o presidente Ricardo Teixeira, ausente da cerimônia, Chedid aproveitou sua vez de discursar para, com um recado breve, intimidar qualquer clube que pretenda recorrer à Justiça Comum a fim de paralisar a competição. "Digo que a CBF já de preparou para qualquer eventualidade relacionada a questões judiciais." Nesse momento, o ambiente voltou a ficar carregado, longe daquilo que Koff pretendia. Com suas palavras, Chedid forçava todos a lembrar da desorganizada e conturbada realidade do futebol brasileiro. Afinal, pouco mais de um mês depois da vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Alemanha, na decisão do Mundial, o que se viu foram seguidos entraves jurídicos, protagonizados sobretudo por Figueirense-SC e Caxias-RS. Como se não bastasse, os clubes estão diante de uma das piores crises financeiras da história. Ao lado, Koff via sua carruagem de otimismo transformar-se em uma abóbora recheada de problemas. Teimosia - Mesmo diante de tantas questões negativas, Koff insistiu em dizer que o momento é especial. Mas, desta vez, teve de recorrer a comparações. "Essas dificuldades não são exclusivas do Brasil", disse. "O mundo todo está passando pelo mesmo processo. Acontece que alguns dão uma superdimensão aos problemas." Então foi a vez de Chedid, mais uma vez, mudar o tom do discurso. O cartola reclamou em alto e bom tom das pessoas estranhas, que, nos últimos anos, têm se "ingerindo" no futebol. Além disso, convocou uma espécie de pacto entre os dirigentes. "Tem muita gente se ingerindo no futebol e que não entende nada desse assunto", esbravejou. ?É preciso que os dirigentes se unam. O futebol passa por um momento difícil e quem não se adequar vai quebrar." Véspera - A dois dias do início do Brasileiro, que terá cinco jogos sábado e oito no domingo, a maior preocupação dos cartolas é com relação às fontes de renda dos clubes. Sem parar de reclamar da redução do valor das cotas pagas pela Rede Globo para a transmissão do evento, cerca de 40%, os dirigentes esforçam-se para evitar prejuízos durante o campeonato nacional. "Ao todo, vamos receber R$ 5 milhões durante os meses de disputa. Antes eram R$ 10 milhões", afirmou o presidente do Corinthians, Alberto Dualib. "Isso representa uma cota de R$ 1 milhões por mês, que não paga nem nossa folha de pagamento, que já foi de R$ 3,5 milhões e hoje está em R$ 2,2 milhões", afirmou. Patrocínio - O evento está sendo vendido como o primeiro Campeonato Brasileiro da história a contar com um patrocinador oficial. Trata-se da operadora de cartões de crédito Visa. Na tentativa de motivar atletas e torcedores, criou-se o ?Gol de Ouro?. A cada mês, será escolhido o gol mais bonito e seu autor vai receber um prêmio de R$ 20 mil. No final, aponta-se o mais belo do campeonato, cujo premiação chega a R$ 100 mil. Só não se falou qual ação vai motivar a torcida a comparecer aos estádios.

Agencia Estado,

07 Agosto 2002 | 19h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.