Cartolas travam duelo no Corinthians

O processo de contratação de jogadores não serve apenas para montar o grupo corintiano para 2004. Deixou evidente também o confuso e disputado ambiente entre os cartolas. Bastaram seis meses para que o cenário sofresse uma reviravolta. Se até o fim do primeiro semestre, o vice de Futebol, Antonio Roque Citadini, praticamente monopolizava as decisões referentes ao departamento, o que se vê no Parque São Jorge hoje é um aglomerado de cartolas tentando dividir funções, não raro, conflitantes. Agora são cinco. Juntaram-se a Citadini o vice-presidente de Ralações Públicas, Fran Papaiordanou, o vice de Esportes Terrestres, Andres Sanches, o vice de Finanças, Carlos Mello, e o diretor de Futebol, Roberto Rivellino. Isso sem falar no presidente Alberto Dualib, que se vira como pode para satisfazer a todos os egos e, assim, evitar maiores contestações em relação à presença de sua neta, Carla Dualib, no Marketing. O choque de vaidades fica a cada dia mais evidente no Parque São Jorge. Durante as negociações com atletas e empresários, os cartolas se mostram pouco entrosados. Até mesmo os interlocutores estranham a situação. ?Ficou meio esquisito mesmo. Tem dia que você fala com um, depois entra outro reclamando que tal assunto é responsabilidade dele?, afirmou à Agência Estado um procurador de um jogador negociado pelo Corinthians. E o temperamento dos dirigentes não ajuda a melhorar o cenário. Se Citadini prima por frases irônicas e provocativas, que invariavelmente lhe garantiam espaço na mídia, Papaiordanou não fica atrás. Em vez da polêmica, se aproximou de Rivellino, tornando-se uma espécie de auxiliar do diretor-técnico nas negociações. Assim, também garantiu sua cota de visibilidade. Já Sanchez é refratário à opinião pública. Prefere colher os frutos da notoriedade internamente. Nos bastidores do clube, muitos dizem acreditar que seu maior objetivo é conquistar espaço político para suceder Dualib. A verdade é que se no campo Juninho pensa na melhor forma de armar o time, do lado de fora o atual presidente passa por problema parecido, ou seja, onde encaixar tantos ?colaboradores?.

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