Laurent Gillieron/AP
Laurent Gillieron/AP

CAS afirma que Blatter foi 'irresponsável' ao fazer pagamento a Platini

Ex-presidente da Fifa pagou R$ 6,3 milhões ao ex-presidente da UEFA

Estadao Conteudo

13 de março de 2017 | 12h02

Joseph Blatter foi "irresponsável" ao pagar US$ 2 milhões a Michel Platini, uma operação que culminou na suspensão de ambos do esporte, de acordo com o veredicto da Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que teve seus detalhes divulgados nesta segunda-feira.

O ex-presidente da Fifa também ignorou o comitê executivo da entidade ao estender em quatro anos o plano de pagamento de pensão de Platini, adicionando ilegalmente mais US$ 1 milhão para o francês, que era presidente da Uefa.

Os detalhes da audiência de agosto foram revelados com a publicação do veredicto de 68 páginas escrito pelos juízes da CAS para explicar por que eles rejeitaram em dezembro o recurso de Blatter para reverter a sua suspensão de seis anos.

Como membro do Comitê Executivo da Fifa desde 2002, Platini tinha direito a uma pensão de US$ 1,52 milhão. Mas Blatter aprovou um pedido do francês para que a pensão valesse desde 1998, o que levou a sua compensação a ser de US$ 2,6 milhões.

"Foi um presente que não era dele", disseram os três juízes, acrescentando que a suspensão de seis anos imposta a Blatter "não é desproporcional, mas bem razoável e justa".

O relatório final apresenta detalhes que nunca tinham sido revelados pelas comissões de ética e de apelações da Fifa que julgaram Blatter e Platini.

Três painéis diferentes de juízes concordaram que não houve acordo apalavrado ou um contrato válido para que Platini recebesse em 2011 pagamentos atrasados, por seu trabalho como consultor de Blatter, entre 1998 e 2002. As autoridades disseram que havia um consenso para que Platini recebesse 1 milhão de francos suíços (correspondentes a US$ 1 milhão) por ano, mas que mais tarde assinou um contrato de 300 mil francos suíços para não ganhar mais do que o secretário-geral da Fifa.

Platini pediu 2 milhões de francos suíços - não os 2,8 milhões que supostamente lhe deviam, segundo o tribunal -, em 2010 "depois de empreender os arranjos a que haviam chegado (os ex-dirigentes da Fifa) Urs Linsi e Jerome Champagne", de acordo com o veredicto.

"Foi ver o secretário-geral ou o diretor de finanças da Fifa e lhe disse 'a Fifa me deve dinheiro'", acrescentou. "O painel considera a conduta do senhor Blatter como presidente da Fifa irresponsável, ou pelo menos muito descuidada, ao aprovar o pagamento sem verificar o contrato, sem pedir a seus funcionários uma cópia escrita do contrato para revisá-lo ou ter feito qualquer verificação".

Durante as audiências, Platini não parecia ter revisto o contrato antes de pedir o dinheiro que foi pago em 2011, quando Blatter buscava a reeleição. "O senhor Platini disse que ele não sabia que tinha cometido um erro em relação à quantidade de dinheiro que lhe deviam até que o promotor suíço lhe mostrou uma cópia do contrato de agosto de 1999 em setembro de 2015", disse o relatório.

No seu veredicto, a CAS destacou que na Fifa prevalecia uma cultura de bonificações e que dois dias antes da definição das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, que serão na Rússia e no Catar, respectivamente, a comissão de finanças aprovou bônus anuais de US$ 200 mil para cada membro do seu comitê executivo para complementar seus salários de US$ 100 mil.

Tudo o que sabemos sobre:
Futebol InternacionalfutebolFifa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.