Christian Palma/AP
Christian Palma/AP

CAS anula multas impostas pela Fifa à seleção mexicana por cantos homofóbicos

Ofensas ocorreram em jogos de 2015 e 2016; equipe teve penalidades trocadas por 'advertências'

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 15h30

A Corte Arbitral dos Esportes (CAS, na sigla em inglês) anulou nesta quinta-feira as multas impostas pela Fifa contra a seleção do México por conta de cantos homofóbicos promovidos pela torcida e trocou a penalidade por meras advertências. A decisão reabre um debate sobre o comportamento de torcidas, principalmente na América Latina.

+ Homofobia já custou R$ 283 mil ao Brasil nas Eliminatórias

A conclusão da corte máxima do esporte foi de que o grito que ecoou no estádio em repetidas ocasiões não tinha como intenção "ofender ou discriminar uma pessoa em concreto". "Entretanto, mesmo se essas expressões e palavras não foram utilizadas como a intenção de discriminar ou ofender algum dos jogadores, as mesmas podem ser consideradas como discriminatórias ou ofensivas por sua própria natureza e, portanto, não devem ser toleradas nos estádios de futebol", explicou.

A Fifa havia multado o México em um total de 35 mil dólares por conta da "conduta inapropriada de sua torcida" em jogos em 2015 e 2016, considerando o grito como "discriminatório". No restante da América Latina, diversas outras seleções também foram punidas, inclusive a CBF. O Brasil, por exemplo, já pagou R$ 285 mil em multas dessa natureza para a Fifa e, na região, a conta chega a mais de R$ 1,5 milhão. Só o Chile recebeu mais de oito punições.

A Conmebol chegou a protestar, alegando que os gritos eram "culturais". Mas a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, respondeu que não se trata de um problema de cultura, mas sim de "respeito e educação".

O tribunal manteve a avaliação de que o canto faz parte de uma "conduta imprópria" dos torcedores e que cabe à Federação Mexicana de Futebol responder pelo fato e considerou que a entidade não tomou medidas para prevenir, mitigar ou deter o canto. Mas, ainda assim, avaliou que tal gesto não criou um "risco particular" de segurança no estádio.

"Como consequência, o tribunal decidiu que a sanção apropriada para cada caso era uma advertência, e não uma multa", disse a corte, em um comunicado. A decisão, assim, modifica a da Fifa. Mas alerta aos mexicanos que, se tal comportamento for retomado pela torcida, a advertência será transformada em "sanções mais severas".

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