Caso de Marizete é complicado, diz advogado

O advogado Luciano Hostins, que atua na área desportiva há sete anos, foi contratado hoje pela fundista Marizete de Paula Rezende e reuniu-se pela primeira vez com a atleta, em sua casa, em Araraquara, na região de Ribeirão Preto. Hostins também defende a atleta Maureen Higa Maggi, outra afastada por doping e que recorre para diminuir a suspensão de dois anos, a mesma pena aplicada preventivamente a Marizete. O primeiro passo de Hostins será encaminhar a solicitação de julgamento do caso da fundista ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), em data a ser definida. O advogado, porém, avisa: "Sou realista e racional, o caso é complicado." Hostins sentiu que Marizete Rezende, vencedora da São Silvestre de 2002, no primeiro momento, ficou abalada e decepcionada com a sua sinceridade. "Não sou mágico, não faço milagre, e a regra de doping é complicada", informou ele, acreditando que o processo, com todos os recursos possíveis, deverá estender-se durante todo o ano. Na avaliação do advogado, existe um fator complicador e outro que facilita as coisas na defesa de Marizete. O complicador é que a atleta teria que comunicar qualquer ingestão de medicamento que resultaria em doping. Se seria autorizada ou não a competir, é outro problema. O que facilitaria, na ótica de Hostins, é que Marizete realiza, há pelo menos dois anos, exames periódicos para tratar uma anemia profunda, originada por sangramento menstrual que não cessava. "Ela tem documentos, exames, receitas, de dois médicos que a trataram", diz o advogado. Ele vai reunir todos os elementos para avaliar e fundamentar o seu recurso à CBAt, já pensando num provável (como acredita) recurso à Federação Internacional de Atletismo (IAAF). E, se conseguir a absolvição de Marizete, o julgamento terá que convencer a IAAF a, na pior das hipóteses, reduzir a pena de suspensão. Hostins terá 28 dias, a partir da ciência do resultado da contrapova do exame de doping, confirmado na terça-feira, para encaminhar o pedido de julgamento do caso ao STJ da CBAt. Segundo ele, um de seus argumentos é que o medicamento Eprex, hormônio que contém a substância Eripropoietina (EPO) para combater a anemia, foi usado em dose pequena por Marizete, o que não influenciaria no desempenho da fundista. Para acusar doping e favorecer a atleta, teria de ser usado em dose elevada. Hostins não esconde que o caso é complicado e tem experiência no assunto. Está defendendo Maureen Higa Maggi para, pelo menos, conseguir a redução da suspensão de dois anos, iniciada em agosto. O caso de Maureen será julgado no dia 19 no STJ da CBAt. Se não conseguir a absolvição da atleta, irá recorrer à Côrte de Arbitragem do Esporte (CAS), na Suíça. Mas sabe que a tarefa será difícil. Hostins já defendeu, ainda, o judoca João Derly (doping por ingestão de diurético) e a triatleta Mariana Ohata (contaminada por alimentação em reposição de mineirais), em 2002. Nos dois casos, os atletas foram suspensos por três meses - a condenação esperada.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2004 | 19h03

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