Paulo Whitaker / Reuters
Paulo Whitaker / Reuters

Cássio dá a volta por cima no Corinthians em 2017 e sonha com uma vaga na Copa

Goleiro se recupera de depressão, retoma a posição no time e ainda consegue convencer Tite de convocá-lo no Brasil

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 00h10

Titular absoluto do técnico Fábio Carille, considerado um dos melhores goleiros do País e convocado por Tite três vezes para a seleção brasileira, a temporada não poderia ser melhor para Cássio, principalmente depois da instabilidade vivida em 2016.

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Com atuações ruins, o goleiro foi preterido por Tite, que optou por Walter entre os titulares na ocasião. Além da incômoda reserva, Cássio ainda se desentendeu com Mauri, preparador de goleiros do clube e com quem tinha fortes laços.

A queda de rendimento aconteceu logo depois da perda da avó, Maria Luiza, em maio daquele ano. Responsável pela educação do goleiro na infância, a matriarca mantinha contato com o neto até a sua morte. Além do luto, Cássio teve de assumir novas responsabilidades na família, o que tirou seu foco também. A virada, tanto pessoal quanto profissional, só ocorreu com a ajuda da mulher, Janara, que o motivou e exigiu que ele retomasse a carreira.

Entre o fim de 2016 e o início deste ano, Cássio mudou. Adotou dieta rigorosa, deixou de consumir bebidas alcoólicas e, ainda nas férias, começou os treinos físicos. Assim, chegou em boa forma à pré-temporada do clube, em janeiro, nos Estados Unidos.

A retomada também contou com a sorte. Uma semana antes de o Corinthians embarcar, Walter machucou a costela e não viajou com o elenco. Com isso, Cássio iniciou o ano como titular, posto que não largou mais. "Hoje eu tenho uma vida totalmente diferente. Sempre me dediquei aos treinos, mas, quando você não está com a cabeça boa, as coisas não saem do lugar", contou o goleiro ao Estado. "No ano passado, vivi um momento ruim, senti muito a perda (da minha avó), baixei a guarda. Mas serviu de aprendizado. Até críticas soube absorver e ver o que estava errando".

Cássio mostrou-se recuperado, e em alto nível de novo, no Campeonato Paulista, ao fazer importantes defesas em jogos decisivos. A boa fase permaneceu no Campeonato Brasileiro, quando ele foi fundamental na histórica campanha do primeiro turno - em 19 jogos, 47 pontos. Contra o Grêmio, em Porto Alegre, principal desafio do time até então, Cássio pegou pênalti de Luan e, nos acréscimos, defendeu finalização do atacante da pequena área. Duas rodadas depois, agarrou penalidade de Lucca, da Ponte Preta.

É possível ainda afirmar que Cássio foi o único jogador que manteve o nível de atuação no péssimo começo deste returno. "Acho que, do ponto de vista da regularidade, esse é meu melhor ano, para ser bem honesto. A equipe ajuda, mas estou conseguindo manter a regularidade e acho que venho bem. Falava-se muito em momentos decisivos em que aparecia bem. Esse é meu sexto ano no Corinthians e é o mais regular de todos", avaliou Cássio, durante entrevista coletiva em junho.

Das 64 partidas do Corinthians no ano, Cássio jogou 60. Três ausências foram em função da convocação à seleção brasileira neste mês - a outra foi na última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista, quando Fábio Carille escalou só reservas. O Brasil o tirou da partida desta quarta-feira contra o Fluminense.

Se nas duas últimas temporadas Cássio deu margem para que torcedores e jornalistas cogitassem rodízio com Walter, neste ano ele foi unânime, ganhando, inclusive, a disputa com Vanderlei, do Santos, para a seleção. Tite, campeão Paulista, Nacional, da Copa Libertadores, do Mundial de Clubes da Fifa e Recopa Sul-Americana com Cássio, preferiu dar a vaga ao corintiano, premiando o ano perfeito.

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