Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Cássio diz não temer Chelsea na decisão do Mundial de Clubes do Japão

Goleiro do Corinthians confessa ansiedade em ver o time campeão do mundo

Raphael Ramos e Vitor Marques, de O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2012 | 10h00

SÃO PAULO - A fala mansa e pausada pode passar a falsa impressão de que Cássio continua tímido e inocente como quando tinha apenas 13 anos e deixou a pequena Veranópolis (RS) para tentar a sorte no Grêmio. Mas, com a experiência de ter passado quase cinco de seus 25 anos na Europa, o goleiro se transformou em uma pessoa de personalidade forte e opiniões contundentes.

Em entrevista ao Estado, ele diz que a Libertadores é mais difícil do que o Mundial e que o Chelsea terá de provar em campo que é melhor do que o Corinthians. Sobre a seleção brasileira, afirma que ficar fora da lista de convocados não tira o seu sono e que aqueles que criticam a sua ida para o time nacional não respeitam o seu trabalho.

Como está a preparação para o Mundial?

Vamos chegar bem tecnicamente e fisicamente. Sabemos que são dois jogos difíceis, mas, independentemente do que acontecer, estaremos bem preparados. O nosso time vinha tomando muitos gols, mas já corrigimos isso e os jogadores que estavam machucados estão voltando. Vamos chegar fortes.

Você já se sente consagrado por causa da Libertadores ou somente com o Mundial é que atingirá o patamar de ídolo?

Ganhamos a Libertadores, que é uma coisa que o corintiano queria muito, e ficamos marcados na história do clube. Mas para ser eternizado é preciso ficar muitos anos no clube, jogar bem e ganhar vários títulos.

No Mundial de 2005, o Rogério Ceni fechou o gol e sempre é lembrado por causa daquele jogo contra o Liverpool. Você sonha com que tipo de atuação?

Eu só penso no Corinthians campeão. Essa é a única coisa que passa pela minha cabeça. Só espero fazer um bom campeonato, mas sei que para isso acontecer tenho de pensar no coletivo, e não apenas em mim.

As equipes da Europa estão realmente um nível acima dos times brasileiros?

Antes de pensar na final, não podemos esquecer da semifinal. Todo mundo achava que seria fácil, mas o Inter perdeu para o Mazembe (em 2010). Os times ingleses chutam bastante de fora da área, são fortes fisicamente e bons nas bolas aéreas, mas é só em campo que vamos decidir quem é melhor.

Assusta sobrar cara a cara com um atacante como o Fernando Torres ou algum outro jogador do Chelsea?

Não, porque não fico pensando se esse ou aquele jogador vai chutar. Na hora do jogo, tenho de tomar cuidado com todos.

O que é mais difícil, a Libertadores ou o Mundial?

Na Libertadores, é muito difícil jogar fora de casa. Contra o Emelec, por exemplo, foi muito complicado. No Mundial, vamos jogar em campo neutro, com gramado bom, iluminação boa, bola boa... Teremos tudo do bom e do melhor.

Faltando pouco tempo para a viagem para o Japão, passa um filme na sua cabeça sobre o que você já fez pelo Corinthians, principalmente aquele jogo contra o Emelec, quando assumiu a vaga do Júlio César?

Falavam que eu não iria me firmar no Corinthians e que a diretoria teria de ir atrás de outro goleiro. Eu ouvia tudo isso, mas confio muito em mim. Sabia que aquele jogo contra o Emelec era a minha chance. Tinha na minha cabeça que se fosse bem não sairia mais.

Esse jogo foi o mais difícil que você fez no Corinthians?

O mais difícil foi contra o Vasco (partida de volta das quartas de final da Libertadores). Foi um divisor de águas. Por tudo o que aconteceu naquele jogo, acho que a gente ganhou o título ali.

Naquele jogo, você fez uma defesa cara a cara com o Diego Souza. O que passou na sua cabeça naquele momento?

Na verdade, nem deu tempo para pensar muita coisa. Primeiro, pensei em sair para tirar a bola, mas vi que não dava. Aí, tive a frieza de esperar ele definir para fazer a defesa mais importante da minha carreira.

Antes de chegar ao Corinthians, você ficou quase cinco anos na reserva na Holanda (no PSV Eindhoven). Saiu frustrado?

Sim, pelo fato de não ter tido uma sequência de jogos. No dia em que fui embora, perguntei para o treinador (Fred Rutten) por que ele não me deu uma chance. Até agora estou esperando uma resposta.

No Corinthians, você chegou como reserva. Pensou que poderia acontecer tudo isso de novo?

Era inevitável pensar, mas cheguei e trabalhei para conquistar o meu espaço. Desde o dia em que cheguei o meu objetivo era ter uma oportunidade.

Você se decepcionou por não ser convocado pelo Mano para o Superclássico do dia 21?

Achava que seria lembrado, mas não é uma coisa que vai me fazer perder o sono ou me desmotivar. É uma escolha do treinador, que achou que deveria chamar o Diego Cavalieri.

Acha que o título do Fluminense pesou na convocação?

Se for pensar assim, todo time campeão tem de ter todos os seus jogadores convocados.

Ficou chateado quando ligaram a sua convocação ao fato de você e o Mano terem o mesmo empresário (Carlos Leite)?

Cada um fala o que quer e tem gente que fala muita m... Foi uma falta de respeito com o meu trabalho. Fui campeão da Libertadores e o Corinthians teve a defesa menos vazada. Automaticamente, isso me credenciava para a seleção.

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