Naseem Zeitoon/Reuters
Naseem Zeitoon/Reuters

Catar é o país com maior PIB per capita do mundo

Petróleo, gás natural e investimentos no mercado financeiro são a principais fontes de riqueza

Cláudio Nogueira, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2018 | 05h00

A extração e o comércio de pérolas, no distante século 8º, foram responsáveis por algumas das primeiras citações históricas de uma região então pouco conhecida, mas que agora está a quatro anos de se tornar um estádio planetário, graças a outro tipo de esfera: as bolas de futebol. Trata-se do Catar, atualmente o país de melhor PIB per capita da Terra (US$ 129.112 por pessoa), futura sede da próxima Copa do Mundo. A competição não acontecerá nos meses tradicionais de junho e julho, porque em tal período a temperatura ambiente, sob o sol, passa facilmente dos 50ºC.

Graças principalmente ao gás natural, ao petróleo e aos investimentos no mercado financeiro, o pequeno emirado do Golfo da Arábia cresceu de forma incrível, em especial a partir dos anos 90 do século passado, a ponto de estar se preparando para sediar o Mundial de futebol e ter como grande sonho esportivo organizar uma edição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão.

Somente quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o Catar duvida de sua capacidade de realização, embora o país esteja sendo desde junho de 2017 alvo de um embargo político, econômico e de rotas aéreas por parte de nações vizinhas, como o Bahrein, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Para ficar restrito apenas ao aspecto esportivo, vale observar que os cataris realizaram nas últimas duas décadas uma série de eventos, como o Mundial Sub-20 de 1995. Mais recentemente, sediou os Jogos Asiáticos (competição poliesportiva semelhante aos Jogos Pan-Americanos), em 2006; a Copa Asiática de Futebol (torneio continental, como a Copa América), em 2011; o Mundial de Natação em Piscina Curta (25m), em 2014; Mundiais de Handebol, Atletismo Paralímpico, Boxe Amador e Tênis Escolar, todos em 2015; Mundial de Ciclismo de Estrada, em 2016; e o Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica, que vai ocorrer entre o próximo dia 25 de outubro e 3 de novembro.

Ao mesmo tempo, prepara-se para sediar um dos maiores eventos do esporte, o Mundial de Atletismo, no ano que vem, algo que pode, sim, ser visto como uma forte demonstração do interesse de um dia organizar a Olimpíada. Além disso, promoveu ou promove anualmente GPs do Mundial de Motovelocidade, e torneios de tênis, golfe e outras modalidades.

Vale lembrar que a holding Qatar Sports Investments é a dona do PSG da França, clube do brasileiro Neymar. E o país mantém em Doha o moderno centro poliesportivo de formação de atletas chamado Aspire.

Mas que país é esse, desconhecido no mundo do futebol, que jamais disputou uma Copa e que sonha voar tão alto? Trata-se de um “pequeno gigante”, com seus 11,571 mil km², quase a metade dos 21,910 mil km² do Sergipe, o menor Estado brasileiro. Nação que, apesar desse reduzido tamanho e da população de 2,710 milhões de pessoas, vem-se mostrando capaz de grandes realizações, em especial a partir dos anos 40, quando começou a exploração dos poços de petróleo, quando sua economia deixou de depender das pérolas preciosas.

Uma curiosidade é que, de sua população total, apenas cerca de 30% são cataris natos, sendo a maioria imigrantes da Ásia e da África que para lá seguem para trabalhar. A população masculina é maior que a feminina, já que muitos dos imigrantes homens não podem levar suas famílias para o país, onde moram em alojamentos. Dados de 2016 do site www.statista.com informavam haver 1,975 milhão de homens para 642 mil mulheres.

No aspecto político, consiste numa monarquia islâmica e absolutista, governada pelo emir (soberano) Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani. Por isso, é chamado também de emirado. A bandeira é marrom ou bordô, com nove dentes brancos, que significam a entrada do país como nono membro do Tratado de Paz dos emirados daquela região com a Coroa Britânica, em 1916. Foi protetorado britânico até 1971, quando declarou sua independência.

Por tradição, seu hino garante ser aquela a terra onde surgiu a humanidade, devido às descobertas arqueológicas que indicam a presença humana na região desde a Idade da Pedra. A canção oficial, de louvor a Alah e ao emir, termina afirmando que os cataris são pacíficos como pombas em tempos de paz, mas igualmente aguerridos e determinados como os falcões – pássaros astros da falconeria, um dos esportes favoritos da nação – quando têm de sacrificar-se por ela. 

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