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Dependências destinadas ao público ficará em 28 graus Divulgação

Catar garante que oferecerá condições para a Copa ser realizada no verão

Dirigentes dizem que país tem tecnologia para refrigerar estádios, Centros de Treinamento e locais de Fan Fest. Mas a Fifa está decidida a mudar a data

Vítor Marques - Enviado especial a Doha, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 07h15

A Fifa continua com a firme ideia de mudar o período de disputa da Copa do Mundo de 2022 para meses de temperaturas menos sufocantes, mas o Catar insiste que a Copa de 2022 pode ser disputada em junho e julho, em pleno verão, quando os termômetros acusam 50 graus durante o dia. 

O diretor de comunicação do Comitê Supremo da Copa de 2022, Nasser Al Khater, afirmou nesta terça-feira que os estádios e os campos de centro de treinamentos do Mundial terão um moderno e avançado sistema de refrigeração. O estádio com ar-condicionado usará energia sustentável, solar, algo novo que está em fase de testes. Segundo técnicos, a temperatura no campo para os jogadores será de 26 graus, e nas dependências destinadas ao público ficará em 28 graus.

“Estamos convencidos de que podemos sediar a Copa no verão de 2022. Não é um mito, a tecnologia de refrigeração já existe. Não é uma novidade para nós”, afirmou Al Khater, em um encontro com jornalistas em Doha.

Está prevista a construção ou reforma de até 12 estádios, e de 64 campos de treinamento que usarão a nova tecnologia. O custo de cada estádio não foi revelado, mas estima-se que gire em torno de US$ 400 milhões (R$ 1,02 bilhão) e US$ 500 milhões (R$ 1,28 bilhão). Técnicos dizem que o custo adicional desse sistema de refrigeração não é significativo no valor total do projeto.

O dirigente do Comitê espera que a questão sobre a data da Copa seja revolvida na próxima reunião com a Fifa, no dia 24 de fevereiro. “A decisão final será tomada pela Fifa. Serão discutidas as opções de verão e inverno. E esperamos que uma decisão seja tomada logo”, disse Nasser Al Khater.

O Comitê Supremo da Copa mostrou que até mesmo os locais de Fan Fest, festa realizada pela Fifa fora dos estádios, contarão com sistema de refrigeração que será usado nos estádios.

Na prática, se a Copa no Catar for disputada no verão, jogadores e torcedores terão de passar a maior parte do tempo isolados em ambientes refrigerados – no hotel, no estádio ou nos campos de treinamentos –, porque circular pelas ruas ou ficar ao ar livre debaixo de temperaturas altíssimas será impraticável.

A Fifa, no entanto, já dá como certo que a Copa de 2022 será disputada no inverno, em dezembro ou janeiro – ainda que a mudança cause um problema no calendário dos clubes europeus, que serão obrigados a interromper suas competições para a realização do Mundial e reiniciá-las depois do evento no Catar.

Na semana passada o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deixou claro que a intenção da entidade é que a principal competição de futebol do mundo mude de data para fugir do calor. “Haverá Copa do Catar. A única coisa a definir é quando será realizada. É claro que não será realizada em junho e julho, isso está claro para todos. Ou será no começo ou no final de 2022.”

Al Khater também abordou outro assunto polêmico em relação à Copa: o consumo de bebidas alcoólicas – no Catar, a venda é restrita a poucos bares e restaurantes. Segundo ele, os estrangeiros vão entender os hábitos locais sem deixar de aproveitar o Mundial.

“O álcool não faz parte da nossa cultura. O consumo é restrito, limitado, mas a venda é legal. As pessoas vão entender que não haverá bebida à venda em todos os lugares e se adaptar a isso”, afirmou. “Cada Copa do Mundo é única, tem um sabor especial de acordo com a cultura do país que a organiza.”

*O repórter viajou ao Catar a convite da FederaçãoInternacional de Handebol.

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Cinco estádios no Catar para a Copa vão ficar prontos até 2018

Capacidade de todas as arenas vai encolher em até 50% depois do Mundial, porque o país tem um campeonato com pouco público

Vítor Marques - Enviado Especial a Doha, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 07h15

O Catar prevê entregar seu primeiro novo estádio da Copa de 2022 em 2016 e reduzir a capacidade de todos eles após o Mundial. O número total para o torneio ainda não foi estabelecido, mas ficará entre oito e 12.

O Comitê Supremo, que funciona como um Comitê Local, já trabalha com cinco estádios para o Mundial: Khalifa Stadium, Al Rayyan Stadium, Qatar Foundation Stadium, Al Wakrah Stadium e Al Bayt Stadium – todos esses ficarão prontos até 2018.

Segundo o Comitê, a capacidade de todos os estádios vai “encolher” em até 50% depois do Mundial. O Catar, país de apenas 2 milhões de habitantes, tem uma Liga de futebol fraca, com baixíssima média de público. Aproximadamente 170 mil assentos serão retirados dos estádios da Copa e doados a outros países.

A primeira Copa em um país árabe será compacta. Dos estádios confirmados pelo Comitê, três ficam em Doha ou nos arredores da cidade – o Catar tem uma área equivalente a metade do estado de Sergipe.

O principal estádio, batizado de Iconic, que receberá a cerimônia de abertura e encerramento da Copa, será construído em Lusail, uma cidade que está sendo erguida do zero a 15 quilômetros de Doha. A capacidade no Mundial será de 86 mil pessoas.

O Comitê Supremo da Copa também será responsável por monitorar outras obras relacionadas ao Mundial. Em Doha, o metrô está sendo construído. E a expectativa é que até 2019 sejam inauguradas quatro linhas e 36 estações.

*O repórter viajou ao Mundial a convite da FederaçãoInternacional de Handebol

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