CBF aponta Inglaterra como possível rival pela Copa de 2014

Motivada pelo direito de realizar a Olimpíada de 2012, a Inglaterra pode ser a principal adversária do Brasil na luta pela sede da Copa do Mundo de 2014, de acordo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Mas, o dirigente tem a convicção de que somente uma ?zebra? irá tirar o Mundial do País. Inclusive, já traçou alguns planos como a construção de nove ou dez estádios, além da criação de um conselho de empresários para captar recursos às obras.Teixeira embarcou ontem para participar de reuniões de trabalho na Fifa e fazer lobby pela candidatura brasileira, porque após a realização da Copa da Alemanha, as inscrições à disputa pela sede do Mundial de 2014 serão abertas. O temor do dirigente é que dirigentes ingleses estão se movimentando nos bastidores da entidade máxima do futebol com o objetivo de ?virar a mesa? e levar a Copa para a Europa. O argumento é o de que o continente ficaria 16 anos sem realizar o evento.Mas, o presidente da CBF apostou que o rodízio dos continentes será respeitado e após 2010, na África, em 2014 será a vez das Américas. ?Se raciocinarmos friamente, nada mais merecedor do que ser no Brasil. Realizamos a Copa em 50, portanto, a fazendo em 2014 quebraríamos um jejum de 64 anos. Outro detalhe, o último Mundial na América do Sul foi em 1978.? Para frear as pretensões inglesas, Teixeira ainda possui outro argumento. O apoio das Confederações de Futebol Africana e Asiática, que serão um trunfo na hora de barganhar com o presidente da Fifa, Joseph Blatter. O dirigente aposta que o suíço, de quem é amigo, não vai querer se indispor com três continentes somente para assegurar o apoio da Inglaterra a sua administração.A demonstração de que a própria entidade máxima do futebol já está trabalhando com a idéia de a Copa de 2014 ser no Brasil foi dada durante o encerramento, na terça-feira, do Curso Futuro III FIFA/CBF, de Administradores de Futebol. O organizador do simpósio Harold Mayne-Nicholls frisou que o País é o único da América do Sul capaz de realizar a competição.E com o objetivo de assegurar a realização de uma Copa do Mundo sem problemas com estádios, Teixeira defendeu a idéia de que os locais existentes no Brasil sejam reconstruídos ou erguidas novas construções.O presidente da CBF sustentou as teses de que os estádios existentes sejam demolidos e aproveitadas somente suas áreas ou que novas arenas sejam levantadas ao lado das já existentes. ?Não diria construído. Mas, digo que nenhum estádio hoje no Brasil tem condições de fazer a Copa. Acredito que teremos de preparar entre nove e dez construções modernas?, assegurou o dirigente, que excluiu qualquer possibilidade de o Maracanã ser utilizado. ?Acredito que a gente vá ter que refazer esses estádios. Agora, precisaremos construir muitos estádios novos.? O dinheiro para erguer os estádios será captado na iniciativa privada por um conselho de empresários. O dirigente já pensou em convidar dois pesos-pesados da economia brasileira, Antônio Ermínio de Moraes e Abílio Diniz, presidentes dos Conselhos de Administração do Grupo Votorantim e Pão de Açúcar, respectivamente.Satisfeito com o apoio já declarado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - que lhe rendeu um telefonema do secretário Geral da Fifa, Urs Linsi, para falar da ?excelente repercussão? na entidade - Teixeira avisou que a participação do governo federal se limitará aos serviços de infra-estrutura, como segurança. O chefe do Executivo brasileiro está com o prestígio em alta na Fifa, após declarar seu apoio, em carta, às medidas contra o racismo no futebol.

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