CBF assume a gestão da Série B do Brasileirão

FBA, que detinha os direitos de comercialização até 2010, foi destituída da atribuição

Agencia Estado

31 de março de 2009 | 00h07

A valorização do Campeonato Brasileiro da Série B, ocorrida nos últimos anos, levou a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a tomar uma medida extrema para assumir o controle da disputa, que começa em maio e termina no início de dezembro. Nesta segunda-feira, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, reuniu os clubes participantes da edição de 2009 e comunicou que a CBF assume a administração da competição, dentro e fora de campo. A Futebol Brasil Associados (FBA), que detinha os direitos de comercialização até 2010, foi destituída da atribuição.

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O pano de fundo dessa virada de mesa teve a participação direta da Rede Globo, emissora responsável pelos direitos de transmissão dos jogos. A empresa esteve representada pelo seu diretor Marcelo Campos Pinto, da Globo Esportes, que aproveitou a oportunidade para colher assinaturas de vários dirigentes no novo contrato.

A reunião, realizada na sede da CBF, no Rio de Janeiro, terminou por volta das 21 horas. Uma hora depois, o site da CBF emitia um comunicado com apenas dois parágrafos comunicando a decisão. Somente o Brasiliense não esteve representado entre os 20 integrantes da Série B.

Uma comissão vai acompanhar as negociações com a venda de painéis publicitários no estádio e, eventualmente, alguma outra receita como a crescente venda dos jogos pelo sistema pay-per-view (jogos pagos). Fazem parte desta comissão seis clubes, três deles rebaixados no ano passado: Vasco, Portuguesa e Figueirense, além de Bragantino, Bahia e Fortaleza.

Ricardo Teixeira abriu a reunião de forma incisiva não deixando dúvidas sobre a intenção da CBF de controlar a competição. Falou alguns minutos e depois passou o comando a Virgilio Eliseo, diretor técnico da entidade.

E Teixeira nem precisou oferecer muito aos clubes. Deu uma garantia mínima de faturamento de R$ 600 mil, mesma cota recebida no ano passado pela maioria dos clubes. Alguns receberam R$ 750 mil porque comercializaram em seus estádios uma marca de refrigerante. E dois clubes, América e ABC, ambos de Natal-RN, faturaram R$ 900 mil cada porque venderam tanto refrigerante como cerveja em seus estádios.

A CBF assumiu os compromissos da FBA, que garantiam passagens aéreas e hospedagens para os 20 clubes, além de arcar com as despesas de transporte dos árbitros. Mas não concordou em pagar a arbitragem, uma reivindicação antiga dos clubes e que, no ano passado, gerou uma briga direta entre Ricardo Teixeira e José Neves Filho, presidente da FBA.

Os clubes podem ganhar ainda com a venda de painéis publicitários. A estimativa é de que cada um receba, pelo menos, mais R$ 600 mil. A própria FBA já vinha comercializando estes painéis com a estimativa de receita total em torno de R$ 14 milhões. O valor das transmissões de televisão fica inalterado até 2010, término do contrato, num total de R$ 27 milhões anuais.

A CBF se comprometeu a não cobrar taxas de administração, como fazia a FBA, em torno de 20%. E garantiu que vai cobrir o rombo de caixa da FBA, que seria de R$ 4 milhões.

O pernambucano José Neves Filho ficou indignado com a medida tomada pela CBF com a anuência da Globo. "Nós roemos o osso e agora eles ficam com o filé. Isso é injusto", lamentou. Disse, porém, que não tomaria nenhuma medida antes de tomar ciência oficial da decisão "porque não fui comunicado pela CBF e por nenhum dos clubes". Comentou ainda que já fechou contrato com várias empresas, como a Cervejaria Schincariol e a Penalty, empresa de material esportivo e que "alguém vai ter que responder por danos causados pela decisão".

A FBA detinha os direitos de comercializar a competição até 2010 e teria cometido o erro de não ampliar seu número de filiados. Dos atuais participantes da Série B, apenas três estavam ligados à entidade: Fortaleza, Ceará e Vila Nova-GO. Agora, a FBA pode se ver obrigada a cuidar das deficitárias Séries C, formalizada com 20 clubes, e à Série D, recém-criada pela CBF com 40 clubes e com uma disputa regionalizada para evitar gastos.

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