Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

CBF aprova venda de jatinho, helicóptero e Mercedes para economia anual de R$ 12,5 milhões

Medida era promessa de campanha de Ednaldo Rodrigues, atual presidente da entidade; entre os itens estão um avião, um helicóptero, um carro de luxo e duas salas comerciais

Fábio Grellet/RIO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2022 | 12h44
Atualizado 24 de maio de 2022 | 18h09

Dois meses e um dia após ser eleito presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a promessa de vender as duas aeronaves que integram o patrimônio da entidade, Ednaldo Rodrigues obteve nesta terça, 24, autorização das federações estaduais para vender o avião e o helicóptero, além de um carro de luxo blindado e duas salas comerciais situadas no centro do Rio.

A assembleia que autorizou a venda ocorreu na sede da CBF, no Rio, na manhã desta terça-feira, 24, com a presença de representantes de 26 das 27 federações – só Mato Grosso não enviou representante. Demonstrou também que Rodrigues segue com força junto aos dirigentes estaduais. Todos os 25 que puderam votar – o representante do Acre está impedido por decisão judicial – autorizaram a venda. E todos os que pediram a palavra durante a reunião elogiaram o dirigente máximo do futebol brasileiro.

Os bens a serem vendidos são: um avião Cessna 680 Citation Sovereign (prefixo PP-AAD) ano 2009, com capacidade para nove passageiros e comprado em 2009; um helicóptero Augusta A109S, ano 2010, de quatro lugares, comprado em 2011; um carro Mercedes-Benz E 500, blindado, ano 2009, que vale R$ 162 mil segundo a tabela Fipe; e duas salas comerciais em um prédio na rua Visconde de Inhaúma, no Centro do Rio. A venda desse patrimônio deve render à entidade de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões, além de permitir uma economia de pelo menos R$ 12,5 milhões por ano.  Esse foi o valor gasto em 2021 para a manutenção das duas aeronaves.

O dinheiro não é especialmente significativo perto do resultado financeiro da entidade em 2021. Representa apenas 7,1% do R$ 1,01 bilhão arrecadado no ano passado – valor semelhante é previsto como receita de 2022. Mas a venda representa uma mudança de atitude na presidência da CBF, historicamente ocupada por cartolas dispostos a esbanjar e ostentar. O mais recente, o ex-presidente Rogério Caboclo, comprou para a CBF por R$ 72 milhões um jato Legacy 500, ano 2015, com capacidade para dezesseis pessoas. Adquirida em junho de 2021, a aeronave nem chegou a ser usada. Foi vendida pelo mesmo valor dias depois. Alvo de denúncias de assédio sexual, Caboclo, que assumira a presidência da CBF em 2019, foi afastado em setembro passado e acabou perdendo o cargo.

Três de seus quatro antecessores imediatos também saíram sob acusações, mas de corrupção. Foram eles Ricardo Teixeira, que presidiu a CBF de 1989 a 2012, José Maria Marin (de 2012 a 2015) e Marco Polo Del Nero (de 2015 a 2017).

Ednaldo Rodrigues aposta na discrição. “Sou humilde, sempre viajei em voo de carreira”, disse em seu discurso de posse como presidente da CBF, em março. Antes, durante a campanha eleitoral, em que foi candidato único, havia dito à imprensa que não sabia “nem a cor” do helicóptero: “Nunca vi, não sei quem usa, não sei nem de que cor é. Mas sei que dá despesa para a CBF”.

Nesta terça-feira, Rodrigue seguiu no papel de dirigente bem intencionado ao prometer investir o dinheiro arrecadado com a venda das aeronaves, do carro e das salas comerciais no futebol feminino, nas categorias de base e na estrutura dos estádios.

 “Queremos reverter (esse dinheiro) em melhorias no futebol de base, no futebol feminino, em estádios, em fomento ao futebol”, afirmou.

Quando lhe pediram detalhes do plano, ele afirmou que os investimentos ainda serão definidos, especialmente em discussão com a diretoria de patrimônio e infraestrutura. O próximo passo é compor uma comissão que vai tratar da venda, a ser feita por produto. Não haverá um lote inteiro com todos os bens.

Ao comentar a decisão da federação de futebol dos Estados Unidos de igualar os prêmios da seleção feminina aos da seleção masculina, Rodrigues elogiou a medida.

“Tudo que vier para dar igualdade é muito importante. O futebol feminino tem que ter mais apoio, a CBF tem que motivar as federações e incentivá-las para que possam fazer os campeonatos, não só o adulto, mas o sub-15, sub-17. Depois de consolidar o futebol feminino é que nós poderemos dar (um) passo nesse sentido que os Estados Unidos no momento estão fazendo”.

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