Jamil Chade/Estadão
Jamil Chade/Estadão

CBF banca cartolas brasileiros na Rússia durante a Copa do Mundo

Entidade gasta até R$ 3 milhões com dirigentes de federações estaduais convidados que fazem basicamente uma viagem de férias

Almir Leite e Jamil Chade, enviados especiais / Sochi e Moscou, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 05h00

Passeios pelos principais pontos turísticos de Moscou, jantares, compras. Essa tem sido a doce vida dos presidentes de federações estaduais que aceitaram o convite da direção da CBF para vir à Rússia durante a Copa do Mundo. A entidade justificou o convite alegando ser boa oportunidade para que os dirigentes tivessem acesso a discussões e práticas administrativas que os ajudariam a melhorar a organização do futebol. Mas, até agora, fazem basicamente uma viagem de férias.

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Isso porque o único compromisso marcado será no dia 26, um encontro com integrantes da Fifa. “Tem uma reunião dentro da programação da CBF e Fifa no dia 26. São várias situações com relação ao desenvolvimento do futebol, alguns debates que são interessantes, muita discussão sobre o árbitro de vídeo”, disse ao Estado o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues. Até lá, clima de férias.

Os dirigentes ficarão no país-sede da Copa até 28 de junho, dia seguinte ao terceiro jogo da seleção na primeira fase, contra a Sérvia. Alguns, como o presidente da Federação Gaúcha, Francisco Novelletto, planejam voltar nas quartas de final. Mas aí terá de pagar suas despesas. A CBF só arca com os gastos de transporte, alimentação e hospedagem na primeira fase.

A seleção está em Sochi, mas a cartolagem parou em Moscou. Estão espalhados por vários hotéis cinco estrelas, como o Ukraina (diária de R$ 1.195) e o Holiday Inn. Alguns trouxeram as esposas - mas nesse caso tiveram que pagar as despesas do próprio bolso.

 

O presidente da Federação Paulista, Reinaldo Carneiro Bastos, está na Rússia. Opositor na CBF - tentou lançar-se candidato à sucessão de Del Nero, mas seus planos foram torpedeados ainda na fase de coleta das assinaturas - está em Moscou. Mas, há algumas semanas, disse que ele mesmo bancaria a viagem.

A caravana para a Rússia - estendida para cinco presidentes de clubes da Série A do Brasileiro e cinco da Série B, definidos por sorteio - foi prometida em dezembro pelo então presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, hoje banido pela Fifa do futebol. Na época, ele começava a articular a candidatura de Rogério Caboclo à presidente. Eleito, Caboclo assume em abril próximo.

Os custos da viagem dos dirigentes não são revelados, mas a estimativa é entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.

 

 

 

 

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